terça-feira, 23 de março de 2010

Veja só


BLOG DO U: Desculpa a de mora de postar, é que problemas de saúde com meu pai me tiraram o tempo de que dispunha a posta no blog, alias estou de folga hoje porque meu cunhado está ficando com ele no hospital para mim....porem...


Porem, o que me traz aqui não é a saúde do meu pai, mas sim a saúde de uma revista de circulação nacional, coisa muito seria que esta sendo dectada em todo país, mas que senti a verdadeira profundidade aqui na minha terrinha na padaria da cidade.


Vejá como ocorreu minha descoberta;

- Hoje é só o sorvete? perguntou a caixa muito educada.
- É sim. Por que tanta revista aqui numa terça-feira à noite? perguntei.
- É encalhe, respondeu.
- Mas tudo isso?
- É, tem sobrado muita. Quando é capa assim, então, falando de política é pior. Quando o assunto é saúde, beleza, até que sobra menos.
- E a editora não reclama de levar tudo isso de volta?
- Hoje em dia não. Logo que eu entrei aqui, o distribuidor pegava no pé do patrão, se sobrava muita. Vivia ameaçando de diminuir a cota e tal. Mas de uns tempos para cá, não. Teve época em que, dependendo da capa, não dava nem para o domingo. Agora, o distribuidor até pede para deixar umas a mais.
- Como assim?
- É que eles incentivam os pontos bons.
- Ah. E esse é um ponto bom?
- É o melhor da cidade.
- É mesmo?
- É o que o distribuidor disse.
- E quanto é a cota de vocês?
- Oitenta.
- Oitenta?
- É.
- Bom, pelo visto aqui vai sobrar mais da metade...
- Até sábado vende mais algumas.
- Ah. Você sabe quantos moradores tem aqui na nossa cidade?
- Cinquenta mil.
- E não acha oitenta revistas pouco?
- Acho. Isso sem contar os que pegam só para fazer tipo.
- Como assim?
- Tem uns que querem mostrar que têm informação, que são inteligentes, descolados, sabe? Esses levam, mas nem lêem.
- É mesmo? Como sabe disso?
- Já trabalhei em casa de família em condomínio. Fica lá e ninguém dá a mínima. Também, o dinheiro está sobrando, né, nem liga...

Blog do U: Sou do tempo em que Revista Veja faltava (olha só como a foto é pequenininha, pobrezinha). A gráfica não dava conta de rodar tanta... Certas edições passavam de mão em mão. Textos eram intercambiados. Durante o final da década de oitenta, por exemplo, era leitura obrigatória.
Não dava para começar a semana, numa capital, grande cidade ou cidade mediana como a nossa, sem ter lido, ao menos, a entrevista das páginas amarelas. Hoje, nem o leitor padrão se interessa mais. Perdeu relevância. A tiragem só não cai mais porque o governo do estado andou assinando uns exemplares para distribuir na rede pública de educação, e dar uma forcinha. Mas os professores esconde a resvista de vergonha dos alunos, pelo menos foi que me falram. Mas é um hábito em desuso. Também, viram como hoje ela é mal feita, indigesta?
Não é por acaso que, agora, deram para gritar, na esperança que alguém os ouça. Podia jurar que a Luiza Erundina foi eleita com aquela capa do operário morto. Como podia jurar que um dia eles lançaram ao poder um certo Caçador de Marajás. Triste fim para quem já foi o espelho da pequena classe média brasileira... Quero só ver quantos estarão no funeral. Se bobear, nem os assinantes.

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