terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Livro O Pássaro terá noite de autógrafo. Confira!

BLOG O MURAL: A escritora porto-felicense Samanta Holtz estará no Esplanada Shopping, na Livraria Saraiva, em Sorocaba (SP), para uma noite especial para os leitores. É o livro O Pássaro, lançado em janeiro pela Editora Novo Século, que receberá a Noite de Autógrafos, no dia 8 de março a partir das 19h30.

O Romance

Caroline Mondevieu é filha de um poderoso Barão e tem tudo o que uma dama da época poderia querer: status, riqueza e um ótimo partido para se casar. Seus sonhos, no entanto, vão muito além de vestidos caros ou um bom marido; ela quer ser dona do próprio destino. Sua vida muda completamente quando encontra Bernardo, um charmoso domador de cavalos que parece ter o dom de irritá-la. Eles não conseguem se entender até quando percebem que, para alcançar o sonho em comum da liberdade, terão que passar por cima das suas diferenças e se unirem num arriscado plano que promete transformar suas vidas para sempre.

Sobre a escritora

Samanta aprendeu a ler sozinha, quando pequena – ao observar e tentar desvendar o que diziam os gibis escritos por Maurício de Souza - e aos 24 anos de idade está publicando seu romance “O Pássaro”, em contrato assinado com a editora Novo Século. É formada em Publicidade e Propaganda e prevê o lançamento de um segundo livro ainda em 2012.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Sessão Solene presta homenagem ao Dia do Rotary

Foto: AI Camâra
BLOG O MURAL: Tradicionalmente, a Câmara Municipal de Porto Feliz realizou uma Sessão Solene em homenagem ao Dia do Rotary, no dia 23 de fevereiro, na Estação das Artes Assumpta Luiza Marchesoni Rogado. No evento, diversas autoridades estiveram presentes, entre eles: o presidente da Câmara Roberto Brandão (PT), os vereadores: Urias de Oliveira (PT), Andréa Matos (PT), Marcos Antonio de Campos Vieira (PT), José Geraldo Pacheco (DEM), Armando Ambrósio Sobrinho (DEM) e José Antonio Queiroz da Costa (PSDB). O Título de Honra ao Mérito, eleito pelos próprios rotarianos, foi para um casal de destaque: Pedro Nazareth Menck e Cacilda de Oliveira Menck. Na solenidade, as crianças do Instituto Sonorum apresentaram peças musicais.
Homenagem
Pedro Menck é nascido em Porto Feliz. Foi vice-prefeito (1960/1964) e também vereador (1969 a 1972). Foi diretor da Santa Casa de Misericórdia e Presidente do Esporte Clube União (1961/1962). Ingressou ao Rotary em 1975.

Consocial debate eixos sociais e elege cinco delegados

Foto: Porto Visão
BLOG O MURAL: Mais de 200 pessoas estiveram presentes na 1ª Conferência Municipal sobre Transparência e Controle Social de Porto Feliz, realizada no dia 25 de fevereiro, pela Prefeitura Municipal e Porto Melhor Cidade Feliz no Espaço Cultural Olair Coan. No local estiveram presentes: o prefeito Cláudio Maffei (PT), o presidente da Câmara dos Vereadores, Roberto 
Brandão (PT), o vice prefeito Júlio Bonze (PT) e os vereadores Urias de Oliveira (PT), Andréa Matos (PT) e Ednilson de Jesus Macedo (PSB).
Durante a reunião, foram discutidos quatro eixos para promoção social, como: Transparência pública e acesso as informações e dados; Mecanismos de controle social, engajamento e capacitação da sociedade para controle da gestão pública; Atuação dos conselhos de políticas públicas como instância de controle e Diretrizes para prevenção e combate a corrupção. Do debate, cinco delegados foram eleitos e participarão da Conferência Estadual e Federal em Brasília, entre eles Cláudia Machado, Tiago Carbonari e Ana Paula representantes da Sociedade Civil; Anderson Marcelo Giacomeli, Poder Público; e Pr Omar Demétrio como Gestores de Políticas Públicas.
O resultado foram 20 projetos votados e aprovados que serão encaminhados à Brasília para a Conferência Estadual, marcada para março.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

A Ética.




BLOG O MURAL: Punir os excessos do mal, mas não eliminar a causa. Esse é o destino da Ética no discurso pós-moderno repleto de palavras mágicas como "responsabilidade", "transparência", "sinceridade" etc. De ciência da moral que buscava as bases racionais da Verdade e do Bem, hoje a Ética é absorvida pelo subjetivismo, relativismo e fragmentação. Talvez seja o motivo pelo qual a permissividade da sociedade de consumo convive com o espírito da vigilância hiper-moralista.




Se há uma coisa que o Gnosticismo enquanto método de análise de uma realidade (seja cotidiana - como no caso desse blog - seja política ou econômica) nos ensina é saber diferenciar entre uma análise ontológica e uma análise moralista. Toda análise moralista pretende combater os excessos do mal, mas não eliminar a causa. Parte do princípio de que esses excessos se originam em comportamentos e motivações corrompidas puramente individuais. Diferente disso, uma análise ontológica vai à radicalidade ao ver o mal não nos excessos, mas na própria estrutura que confina os indivíduos. Por exemplo, a estrutura familiar ou religiosa.

Esse parece ser o destino da palavra “Ética” na sociedade contemporânea: decair para o campo do julgamento moralizador, do relativismo e do subjetivismo.

“Conscientização” e “Ética” são palavras repetidas como um mantra para a solução de todos os problemas na sociedade. Poluição, trânsito, violência, intolerância, crises financeiras, especulação, corrupção etc., parece que todos os problemas clamam pela necessidade de que os indivíduos conscientizem-se das implicações éticas dos seus atos. O bem comum, o outro, a própria sociedade necessitam de que todos tomem consciência de palavras mágicas como “responsabilidade”, “sustentabilidade”, “transparência”, “sinceridade” e assim por diante nas ações em todos os setores de relações humanas.

Nunca se falou tanto em Ética. Da ciência geral da moral na Filosofia, ela acabou se fragmentando em diversas éticas: ética profissional, ética religiosa, ética ambiental, ética conjugal, ética nos negócios e assim em diante. Se um setor da práxis social apresentar alguma prática que cause injúria ou prejuízo a algumas das partes, reivindica-se um comportamento “ético”.
“Em Aristóteles a Ética buscava a fundamentação racional da busca do Belo, da Verdade e do Bem

Em busca da fundamentação para o bom modo de viver humano em busca do Belo, da Verdade e do Bem, a Ética nas suas origens aristotélicas buscava refletir como o homem deveria se portar no meio social. Se a moral possui um caráter obrigatório em torno de tabus, tradição e cotidiano, a Ética buscava um caráter reflexivo. Isso significa que buscava, através da convicção e inteligência (e não mais pela obediência), um conjunto de valores objetivos para toda a práxis humana.

Mas o que testemunhamos hoje é a fragmentação da reflexão da Ética, como se cada setor da sociedade, relativamente aos seus objetos e diferentes agentes, necessitasse de um estudo ético especializado.

Além dessa fragmentação, o que chama a atenção é o subjetivismo da ética pós-moderna. Categorias psicológicas ou intimistas são usadas para julgar relações sociais, papéis e estruturas cuja natureza é ontológica, isto é, têm uma dinâmica interna que independe da personalidade do indivíduo que ocupe a posição.

Por exemplo, analisar a atual crise dos mercados financeiros como o resultado da ganância, ambição, compulsão e luxúria dos agentes econômicos é reduzir estruturas da economia política a categorias psicológicas ou de caráter. O resultado são análises moralistas que distinguem os “bad guys” dos “good guys”, exigindo-se regulamentações e freios éticos. Documentários como o premiado “Trabalho Interno” (Inside Job, 2010) e as denúncias do documentarista Michel Moore vão por essa linha.

Da mesma forma, reivindicar leis rígidas, fim da impunidade ou projetos de “conscientização” e “educação” para combater a violência no trânsito é inócuo por reduzir todos os problemas ao excesso e falhas de caráter do indivíduo numa sociedade que celebra e glamoriza a velocidade.
A crítica moralista: achar os "bad guys" para que os excessos
do mal sejam punidos em meio à crise financeira global



Ética e o “Outro”

Nas suas origens Ontologia e Ética eram complementares. Não era possível a busca da Verdade e do Bem sem compreender as propriedades mais gerais das coisas, dos seres e da realidade. Mas, na cultura pós-moderna são separadas. Enquanto a Ontologia é condenada por ser “metafísica” a Ética é absorvida pelo subjetivismo e, como consequência, categorias psicológicas passam a servir de medidas para o julgamento da ação humana.

Perde-se consciência da existência ontológica do “Outro” na ação humana. O “Outro” significa um contexto que produz indivíduos em seu agir social, que os precede, o mundo que nos observa, que nos estrutura: ambientes, cenários, objetos e produtos culturais. Como bem observou Olga Sabido (professora de ciência política da Universidade Nacional Autônoma - México), o indivíduo permanece aprisionado em uma estrutura que cria uma identidade que pode corrompê-lo (veja SABIDO, Olga “Sorpresa y repugnancia” in: LÈON, Emma (org.) Los Rostros Del Outro. Reconocimiento, invención y borramento de La alteridad. Anthropos Ed. México – Universidad Autonoma – CRIM, 2009).

Os especuladores, os jogadores compulsivos do mercado financeiro, os gananciosos capazes de pulverizar o bem comum são apenas pessoas com a personalidade certa no lugar certo no interior da estrutura do Outro. Puni-los é combater o excesso do mal, sem colocar em questionamento a “cena”, aquilo que Olga Sabido denomina como “o encaixe do Outro”, isto é, o momento em que o escript ou a programação estrutural assume o controle das ações humanas.

Isso está além da Ética, caráter ou convicção moral. Se estabelecermos um raciocínio inverso, um indivíduo que porventura fosse assim tão virtuoso, o campeão da ética e da moral, jamais estaria no lugar onde ocorreria o “encaixe do Outro” e a própria estrutura (o Outro) nunca existiria. Não teríamos, por exemplo, o próprio mercado financeiro. Não há mercado de operações financeiras “éticas”, mas a sua própria negação.

O drama prototípico de Ulisses: o homem amarrado
às estruturas da civilização que segue o rumo inexorável

Seguindo o mesmo raciocínio, se desaparecer o indivíduo produzido pela cultura que glamouriza a velocidade não teríamos, enfim, um trânsito “ético” ou “educado”. Simplesmente o transporte individual e toda uma urbanização em torno do automóvel deixariam de existir.

Talvez a melhor imagem dessa submissão do ser humano ao Outro esteja na analogia que Theodor Adorno e Max Horkheimer fazem entre a evolução da civilização iluminista ocidental e o drama prototípico de Ulisses na “Odisséia” de Homero (veja ADORNO, Theodor e HORKHEIMER, Max. Dialética do Esclarecimento, Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997).

Ulisses deixa-se amarrar ao mastro principal da sua nau enquanto seus remadores têm seus ouvidos tampados com cera para que não ouçam o canto das sereias que atraem os marinheiros levando as embarcações ao encontro dos rochedos. Trabalhadores e burguesia atados ao barco da civilização iluminista e capitalista. Os detentores do capital (representado por Ulisses) sabem que é possível outro mundo (eles se permitem o prazer de ouvir o canto), mas estão amarrados firmemente às estruturas que seguem o curso inexorável.

A Ética sem Ontologia

Esse destino da ética no mundo atual (a de ser invocada apenas para conter os excessos) talvez explique o paradoxo de a cultura pós-moderna ser ao mesmo tempo permissiva e moralista. De um lado o hedonismo da sociedade de consumo (a cultura do prazer, drogas, sensações e realizações individualistas sem limites) e, simultaneamente, o espírito de vigilância hiper-moralista pronto para denunciar desde atentados à liberdade humana, intolerância e direitos humanos até a proibição histérica do fumo, pornografia, aborto, assédio sexual, álcool e corrupção. Combatemos os excessos para mantermos intactas as estruturas.

Dessa maneira a Ética decaiu na ideologia: primeiro como remédio moralizante para todos os excessos. E, segundo, como estratégia de conferir racionalidade às diversas legislações e regulamentações ou códigos profissionais, de conduta etc.

Por isso, nas universidades cada vez mais professores de Filosofia tornam-se professores de Ética. A Ontologia é abandonada (por ser considerada excessivamente “metafísica”) para, em seu lugar, atrelar a Ética ao ensino de legislações e regulamentações particulares de cada setor de atividade, aumentando a fragmentação.

Sem a Ontologia, a Ética torna-se presa fácil da ilusão ideológica de uma espécie de eterno retorno: sanado os excessos e punidos os culpados, a estrutura permanece a mesma criando o ciclo vicioso das crises: elas sempre retornam porque pessoas certas com a personalidade certa ocuparão sempre os mesmos papéis, para que o “encaixe do Outro” ocorra, embora sempre ouçamos o canto das sereias, isto é, a possibilidade de que o Outro desapareça.