segunda-feira, 9 de junho de 2014

Guerra nos bastidores da ciência.

O ex-presidente Lula em visita recente ao laboratório do projeto Andar de Novo montado na AACD – Associação à Criança com Deficiência, em São Paulo. Fotos: Ricardo Stuckert/Instituto Lula e Facebook de Nicolelis.
O ex-presidente Lula em visita recente ao laboratório do projeto Andar de Novo montado na AACD – Associação à Criança com Deficiência, em São Paulo. Fotos: Ricardo Stuckert/Instituto Lula e Facebook de Nicolelis.
Se você pensa que jogo bruto, rasteiras e tentativas de assassinato de reputação são coisas da política, prepara-se para conhecer os bastidores de uma guerra na ciência de ponta. Vai se surpreender como nós.
Divergências são comuns no mundo acadêmico. Fazem parte da evolução do conhecimento científico. Certas disputas, porém, viram carnificina.
Em 12 de junho, na abertura da Copa do Mundo, no Itaquerão, em São Paulo, o mundo assistirá ao vivo a demonstração de um salto da ciência: um jovem paraplégico, “vestindo” uma  “roupa robótica” (exoesqueleto), dará o chute inaugural na cerimônia.
É apenas a primeira etapa do projeto Andar de Novo, liderado pelo o neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis e do qual participam 156 pesquisadores do Brasil, EUA, Inglaterra, França, Suíça, Alemanha, Portugal, Chile, entre outros países.
O objetivo dessa pesquisa, no futuro, é permitir que paraplégicos possam andar novamente.
Porém, Nicolelis e o projeto Andar de Novo estão sendo alvejados por alguns pesquisadores que tentam transformar esse momento histórico da ciência brasileira em algo ruim.
Em 29 de março, reportagem publicada pela Folha de S. Paulo traz críticas ao seu trabalho. Diz a matéria:
Edward Tehovnik, pesquisador do Instituto do Cérebro da UFRN, chegou a trabalhar com Nicolelis, mas rompeu com o cientista, que o demitiu. Ele questiona quanto da demonstração de junho será controlada pelo exoesqueleto e quanto será controlada pelo cérebro da criança.
“Minha análise, baseada nos dados publicados, sugere que menos de 1% do sinal virá do cérebro da criança. Os outros 99% virão do robô”. E ele pergunta: “Será mesmo a criança paralisada que vai chutar a bola?”
Sergio Neuenschwander, professor titular da UFRN, diz que a opção pelo EEG é uma mudança muito profunda no projeto original. Ele diz que é possível usar sinais de EEG para dar comandos ao robô, mas isso é diferente de obter o que seria o código neural de andar, sentar, chutar etc.
“O fato de ele ter optado por uma mudança de técnica mostra o tamanho do desafio pela frente.”
Engana-se quem acha que por trás desses ataques estejam razões puramente científicas.
Há guerra de egos, inveja do sucesso alheio, brigas pelo poder, disputas por verbas e até motivos ideológicos. Nicolelis vota abertamente em Lula, Dilma e no PT. E os seus pares (a esmagadora maioria) e a mídia não perdoam o seu posicionamento político. Já um dos seus críticos é antipetista, como perceberão mais adiante.
Mergulhamos então na internet. Ouvimos várias pessoas, entre os quais pesquisadores e alunos, para conhecer melhor os pesquisadores entrevistados pela Folha  e tentar entender o que está acontecendo.
Miguel Nicolelis é pesquisador e professor da Universidade  Duke, nos EUA,  e coordenador do Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lily Safra (IINN-ELS), no Brasil.
Em junho de 2011, o IINN-ELS, criado por ele em 2005, passou por uma cisão.
O professor Sidarta Ribeiro deixou a instituição. Foi dirigir o Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
Neuenschwander faz parte do grupo que acompanhou Ribeiro.
Tehovnik, que em fevereiro já havia detonado Nicolelis na mesma Folha, foi para o Instituto do Cérebro em 2012, após ser demitido do IINN-ELS por falta de produção científica.
Com base nessa e em outras informações levantadas, o Viomundo pediu a Tehovnik e Neuenschwander, via e-mail, que esclarecessem as críticas e outras questões surgidas na apuração desta matéria. Reafirmamos a solicitação outras vezes. Nenhum respondeu.
FONTES DA FOLHA NUNCA TRABALHARAM COM INTERAÇÃO CÉREBRO-MÁQUINA
É de 1985 o primeiro artigo cogitando a possibilidade de interação do cérebro com computador  — a chamada interface cérebro-máquina.
Em 1999, Nicolelis e seu colega John Chapin, da Universidade Duke (EUA), comprovaram isso num estudo pioneiro com ratos. Em 2000, demonstraram em macacos. Em 2004, em seres humanos.
A interface cérebro-máquina é uma das áreas da ciência onde avanços estão ocorrendo. Tanto que, em 2011, a Fundação Nobel (a mesma dos prêmios) realizou, em Estocolmo, Suécia, um simpósio chamado 3 M: Mente, Máquinas e Moléculas.
Fizemos uma busca no Pubmed, considerada uma das maiores base de dados  de publicações científicas e de pesquisas biomédicas. Até 24 de abril, 1.789 artigos sobre a interface cérebro-máquina tinham sido publicados no mundo.
Em 2000, foram 19. Em 2005, 60.  Em 2010, 170. Em 2013, 309. Este ano já somam 97.
Na semana passada,  Miguel Nicolelis,  postou na sua página no Facebook:
BRA-Santos Dumont 1 é o nome que recebeu  o primeiro exoesqueleto. Os testes estão demonstrando que o conceito de controlar os movimentos do exoesqueleto pelo cérebro – a chamada interface cérebro-máquina — funciona e é viável.
Tehovnik, no entanto, contesta a validade científica da interface cérebro-máquina assim como do projeto Andar de Novo.
Curiosamente, ele e Neuenschwander não têm experiência com interface cérebro-máquina para reabilitação motora. Eles nunca trabalharam nem participaram de projeto de pesquisa na área. Também não têm publicação original na área.
O mais próximo que Tehovnik chegou foi o artigo de revisão “Transfer of information by BMI”, feito com mais dois autores e publicado na Neuroscience, em 2013.
Aí, sem experimento nenhum, apenas com base em alguns cálculos em computador, ele conclui que “mais pesquisas sobre a compreensão de como o cérebro gera movimento são necessárias antes de ICM poder se tornar uma opção razoável para pacientes paraplégicos”.
Para quem não sabe, a conclusão que “mais pesquisas são necessárias para compreensão de fenômeno X” é um lugar comum na literatura científica, geralmente utilizada quando o pesquisador não tem nada a concluir.
POUCOS TRABALHOS CIENTÍFICOS PUBLICADOS NOS ÚLTIMOS ANOS
Sergio Neuenschwander é brasileiro e sua área de pesquisa, a visão. Atualmente é professor titular do Instituto do Cérebro da UFRN.
Durante mais de 10 anos, atuou num dos mais sofisticados institutos de neurociência da Europa, o Instituto Max Planck, na Alemanha. Aí, fez pós-doutorado e trabalhou no laboratório do conceituado neurofisiologista Wolf Singer.
A ideia inicial era Neuenschwander trabalhar no IINN-ELS, mas, devido à cisão, nem chegou a atuar na instituição.
O seu nome aparece, junto com o de vários outros cientistas, como um dos responsáveis pela concepção do projeto de repatriação de capital humano, que está na origem tanto do IINN-ELS quanto do Instituto do Cérebro/UFRN.
Acontece que ele só voltou ao Brasil em 2011. Pedimos uma cópia de documentos oficiais que demonstrassem essa participação. Não enviou.
Segundo o Pubmed, Neuenschwander não publicou nenhum trabalho de relevância internacional desde a sua ida para o Instituto do Cérebro/UFRN. As suas 14 publicações listadas nessa base de dados são da época no Max Planck.
Já Tehovnik é canadense. Fez boa parte da carreira no laboratório de Peter Schiller, professor de fisiologia médica, sistema visual e sistema oculomotor do Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos EUA.
Em 2009, veio ao Brasil pela primeira vez. Foi para assumir a vaga de professor adjunto na UFRN. Poucos meses depois pediu demissão.
No final de 2010, retornou. Foi trabalhar no IINN-ELS, onde recebeu uma bolsa DTI (desenvolvimento tecnológico industrial), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Ficou até  janeiro de 2012, quando foi demitido.
Ainda em 2012, prestou concurso para professor de Neuroengenharia no Instituto do Cérebro/UFRN. Foi reprovado.
Atualmente, com bolsa do CNPq, é pesquisador sênior visitante no laboratório de Sergio Neuenschwander. De acordo com o Pubmed, nos últimos cinco anos, publicou quatro trabalhos científicos originais, sendo três de revisão. Apenas um envolveu experimentos feitos nos tempos de MIT.
Clique aqui e leia a reportagem na íntegra no site Viomundo. 

Mais Walk Again: O estudo de Miguel Nicolelis foi capa da Brasileiros deste mês de abril. Leia. E o próprio Miguel Nicolelis assina um texto, no qual descreve a emoção de ter visto os primeiros passos do exoesqueleto, que aconteceu no dia 31 de março, quando o País relembrava a triste efeméride dos 50 anos do Golpe, que levou o Brasil a um período obscuro. Acompanhe por aqui as novidades do projeto de Nicolelis.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

O ‘Guia Piketty’ para entender as ideias do mais influente economista da atualidade


Thomas Piketty
Thomas Piketty

Publicado originalmente na Unisinos. Por Diário do Centro do Mundo.

Thomas Piketty é um economista francês que publicou “O Capital no Século XXI”, no ano passado, e que foi traduzido para o inglês neste ano. O livro está provocando alvoroço no mundo da academia e no espaço de debate de divulgação econômica.
Os conceitos centrais da obra são:
- A concentração da riqueza aumentou em todos os países desenvolvidos;
- Mantém-se a tendência de não intervenção tributária sobre essas fortunas (uma amostra é a resistência à taxa Tobin na Europa);
- Caso não haja mudanças nessa situação, a economia do século XXI será parecida com a do século XIX, quando as elites econômicas herdavam a riqueza ao invés de obtê-la pelo trabalho. Será uma sociedade neovitoriana classista, dominada pela riqueza de uma elite hereditária, que não foi conquistada;
- A proposta de Piketty, que ele admite ser “utópica”, para evitar esse retorno a um mundo oligárquico é um esforço coordenado, em nível mundial, para aplicar impostos a essa imensa massa de riqueza concentrada em poucos. Ele conclui que caso não sejam tomadas medidas contundentes, o funcionamento da economia será condicionado por pessoas que simplesmente possuem a riqueza herdada de seus pais.
O argumento principal de “O Capital no século XXI” é que o capitalismo, em sua forma neoliberal (de mercado) ou intervencionista (Estado de Bem-Estar), conduz a uma economia dominada por aqueles que têm a sorte de nascer em uma posição de riqueza herdada. Embora tenha realizado a análise a respeito de países desenvolvidos (Estados Unidos, França, Alemanha, Itália, Canadá, Japão e o Reino Unido), na Argentina também está havendo esse reflexo e é interessante observar como os filhos de famílias de grande fortuna e de visibilidade pública começaram a se reunir em um grupo de afinidade (revistas de teatro, esportiva e de negócios demonstram isso).
Piketty explica que a economia da Europa funcionava desse modo, em princípios do século passado, e que a prepotência da riqueza herdada só foi destruída pela devastação de duas guerras mundiais, com uma profunda depressão nesse intervalo.
Após esses traumáticos eventos, houve um rápido período de crescimento associado aos estímulos do pós-guerra, à reconstrução europeia e à recomposição do consumo. Nos últimos 30 anos, essa dinâmica subjacente do poder econômico herdado foi revitalizada e reafirmada.
Qual é a definição de capital para Piketty? Aqueles que o acusam de marxista é porque não conhecem o conceito marxista de capital, entretanto, os setores conservadores consideram como marxista qualquer um que estuda ou que tem uma posição crítica sobre a desigualdade e a concentração da riqueza. Piketty utiliza uma definição ampla ao considerar que “o capital” é igual a “riqueza”.
Quer dizer, todo o patrimônio (propriedades, ativos em efetivo, investimentos em ações e bônus) constitui o capital ou a riqueza. Piketty não apenas destaca que a distribuição da renda (dinheiro obtido pelas pessoas que trabalham) é desigual, como também que a riqueza ( o estoque de ativos) é distribuída de forma muito mais desigual. Isto significa que não apenas a diferença na retribuição pelo trabalho é imensa, essa diferença também é abismal na posse da riqueza global.
O esquema analítico de Piketty é o seguinte: para definir a taxa de retorno sobre o capital (r) e a taxa de crescimento econômico nominal (g), utiliza uma longa série de tempo de 200 anos de dados sobre a pobreza, renda e riqueza para países desenvolvidos. Com essa imensa quantidade de informação determina um comportamento econômico simples de entender. Calculou que “r” esteve em 5% na média, ao passo que “g” foi inferior a essa porcentagem, nesse amplo intervalo. Isto significa que a taxa de crescimento econômico global foi menor do que o aumento da riqueza das grandes fortunas.
Piketty denomina “lei fundamental” a fórmula “r>g”, ou seja, que os ricos se tornam mais ricos de forma permanente. De outro modo, no capitalismo, se a taxa de retorno da riqueza privada é superior à taxa de crescimento da economia, a participação das rendas do capital no produto líquido aumentará. Piketty afirma que, em longo prazo, a desigualdade econômica não será apenas pela distância entre as pessoas que ganham altos salários e os que recebem rendas baixas, mas, sim, entre as pessoas que herdam grandes fortunas em propriedade e efetivo, e aqueles que não.
Trata-se de um resultado verificado, nestes anos de crise global, em potências mundiais, segundo o World Ultra Wealth Report, relatório mundial da grande riqueza de Wealth-X e do banco suíço UBS: com uma queda ou estancamento das economias centrais, que já se estende por sete anos, de 2009 a 2013, a população muito rica do mundo aumentou sua riqueza (sem ajustar pela inflação) em 44,1%.
Na completíssima resenha publicada pelo meio eletrônico estadunidense Vox, Matthew Yglesias resume que “quando “r” é maior que “g”, o volume de riqueza dos ricos cresce mais rápido do que o conjunto das rendas dos trabalhadores”. Enfatiza que isto não significa necessariamente que os pobres sejam mais pobres, mas, sim, que cada vez é maior a distância entre os lucros das pessoas que possuem uma grande quantidade de propriedades e investimentos financeiros e os das pessoas que recebem uma renda de seu trabalho para viver.
Até o conservador semanário The Economist, em uma crítica ao livro de Piketty, rendeu-se diante da formidável “base de dados sobre a qual o livro se constitui, sendo difícil disputar o seu chamado para uma nova perspectiva da era econômica moderna, estejamos ou não de acordo com suas recomendações de política”. No artigo, “Capital in the Long Run”, publicado na edição do dia 9 de janeiro passado, The Economist afirma que politicamente não se pode sustentar uma crescente concentração da riqueza, e “aqueles que queiram preservar a economia de mercado devem lidar com essa dinâmica em um contexto preocupante, com os números sobre a desigualdade que Piketty apresenta”.
Também foi criticado pelo economista da Universidade do Texas, em Austin, James K. Galbraith (filho do célebre economista do século passado, John Kenneth Galbraith), em um artigo publicado na revista trimestral Dissent: “Kapital for the Twenty First Century?”. Nele, diz que o livro de Piketty sobre o capital não é nem sobre o capital no sentido utilizado por Marx, nem sobre o capital físico como fator de produção no modelo neoclássico de crescimento econômico.Galbraith conclui que “é um livro principalmente sobre a “valorização” de ativos materiais e financeiros, ‘distribuição’ dos ativos através do tempo e a ‘herança’ da riqueza de uma geração para outra”.
Para além de controvérsias pela direita (The Economist) e pela esquerda (James K. Galbraith), o livro tem o mérito de instalar no coração do capitalismo o debate sobre a desigualdade, e não apenas de renda, mas, sim, a que emerge da divisão do estoque de riqueza global. É o que afirma Paul Krugman em “The Piketty Panic”, publicado pelo The New York Times, quando elogia a obra do economista francês porque “é a maneira como joga por terra o mais apreciado dos mitos conservadores: o de que vivemos em uma meritocracia, em que as grandes fortunas são conquistadas e são merecidas”. Menciona que o realmente surpreendente do debate é que a direita parece ser incapaz de organizar algum tipo de contra-ataque significativo à tese de Piketty.
O capitalismo não está gerando uma melhor distribuição da riqueza e da renda, mas, sim, sua concentração é o estado natural do capitalismo, mais do que uma exceção, como postula o pensamento econômico convencional com sua expressão política no conservadorismo. Pikkety afirma, então, que está havendo uma transição para uma economia dominada pelos filhos e netos da grande elite de hoje e não pelos fundadores das empresas líderes.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Maior gestor de ciência do planeta bate palmas para paraplégico andando com “roupa robótica”: “Maravilhoso!”


 BLOG O MURAL: Atento, Francis Collins (na foto, à esquerda de Nicolelis) acompanha os passos do jovem paraplégico “vestindo” o esqueleto-robô. Ao final, não resiste. “Encantado”, como ele mesmo diz, abre um sorriso enorme e aplaude
por Conceição Lemes

No meio científico, todo mundo conhece o médico e geneticista Francis S. Collins.
Pudera. Foi quem coordenou o Projeto Genoma Humano.
Desde 2009, é o diretor do maior agente financiador de pesquisa biomédica do mundo: o National Institutes of Health (NIH), dos EUA.
Ele tem nas mãos um orçamento de US$ 38 bilhões. É o maior gestor de ciência biomédica do planeta.
Pois Francis Collins está em visita oficial ao Brasil e quis conhecer os laboratórios do projeto Andar de Novo, montados na AACD – Associação de Assistência à Criança com Deficiência, em São Paulo.
O projeto é liderado pelo neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, pesquisador e professor da Universidade  Duke, nos EUA,  e coordenador do Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lily Safra (IINN-ELS), no Brasil.  Dele participam 156 pesquisadores de 25 países.
Em 12 de junho, na abertura da Copa do Mundo, no Itaquerão,  o mundo assistirá ao vivo uma demonstração do projeto e um salto da ciência: um jovem paraplégico, “vestindo” uma “roupa robótica” (exoesqueleto), dará o chute inaugural na cerimônia.
Collins visitou os laboratórios do Andar de Novo na tarde dessa terça-feira 21.
No primeiro, uma jovem paraplégica, com fisionomia séria, aparentando 25 anos, se exercitava no simulador do exoesqueleto. Por razões éticas, o seu rosto não pôde ser fotografado pelos jornalistas presentes; apenas ela de costas. Também não pudemos conversar com a paciente. O Conselho Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), ligado ao Ministério da Saúde, proíbe, para preservar o paciente sujeito de pesquisa.
Aí, Nicolelis começou a descrever a Collins os experimentos que levaram ao resultado atual.
No segundo, apenas o exoesqueleto, sem nenhum paciente. Nicolelis detalhou então o funcionamento dos equipamentos.
No terceiro, o professor Nicolelis convidou-me para entrar junto com o doutor Collins para assistir com eles e demais pesquisadores à demonstração de um jovem usando o exoesqueleto. Foi a portas fechadas. E eu a única repórter presente.
Esse jovem ficou paraplégico aos 20 anos  (tem 27) devido a acidente de carro.
Foram duas comprovações. A diferença foi a velocidade do andar. A segunda, um pouco mais ligeira.
Ao final da segunda caminhada, o jovem abriu um sorriso imenso de alegria.
Eu, Conceição Lemes, chorei. Pela primeira vez no mundo um jornalista testemunha uma demonstração real, prática, do Andar de Novo.
Collins não resistiu. Bateu palmas: “Maravilhoso!”
“Estou muito feliz em ver que o investimento de tantos anos resultou nessa aplicação da Ciência”, disse Collins na coletiva de imprensa.
Foi o começo da resposta à pergunta do Viomundo sobre como via uma ideia, cuja pesquisa básica foi financiada pelo NIH, virar realidade clínica. Durante os 25 anos de carreira, veio do NIH mais da metade dos US$ 60 milhões levantados nos EUA por Nicolelis para pesquisas.
Collins prosseguiu:
“Essa é a realidade da Ciência. Você tem de persistir em ideias que, no início, podem até parecer abstratas, sem conexão com alguma doença, mas que, depois de investimentos persistentes durante muito tempo, possam gerar, por exemplo, uma vacina para prevenir a infecção pelo HIV/aids. É  algo que esperamos que ocorra rapidamente”.
“No caso deste exemplo, que é o exoesqueleto, estou muito satisfeito pelo fato de o NIH ter participado dessa história. É assim que a Ciência funciona.”
“Quando nos Estados Unidos se defende levar todo o dinheiro do NIH para a pesquisa aplicada, as pessoas às vezes esquecem que é a pesquisa básica que permite que essas ideias floresçam do ponto de vista clínico”.
Perguntamos também o que ele acha da colaboração entre Estados Unidos e Brasil no projeto Andar de Novo. A pesquisa aplicada, envolvendo o desenvolvimento e construção do esqueleto-robô, foi financiada pela Finep, ligada ao Ministério de Ciência e Tecnologia: US$ 14 milhões.
Collins então afirmou:
“A colaboração é essencial. Se você precisa atacar um problema muito difícil, muito complexo, é necessário recrutar os melhores cérebros disponíveis e eles não necessariamente moram no mesmo país. Um grande exemplo é o doutor Nicolelis”.
“Estou muito satisfeito em ver que um investimento que o NIH fez em pesquisa básica nos EUA, durante 25 anos, no laboratório do doutor Nicolelis, deu frutos no Brasil, com a pesquisa clínica financiada pelo governo brasileiro. A Ciência é global”.
“Essa colaboração permitiu que EUA e Brasil estivessem aqui presentes. Possivelmente, essa pesquisa não poderia ter acontecido só nos EUA ou só no Brasil”.
“Admiro muito o espírito de Nicolelis de reunir pesquisadores e trazê-los dos EUA para o Brasil, para congregar todos no mesmo projeto”.
“Estou muito encantado, porque uma quantidade muito grande de gente, num evento esportivo, vai poder ver, pela primeira vez, uma demonstração do que a Ciência é capaz de fazer e dar esperança para milhões de pessoas no mundo todo”.
Sobre a interface cérebro-máquina, questionada por alguns pesquisadores, Collins disse:
“É uma das áreas de fronteira da neurociência. Nos EUA, atualmente há vários laboratórios trabalhando com ela”.
Nicolelis e seu colega John Chapin, da Universidade Duke (EUA), foram os primeiros.
Em 1999, comprovaram isso num estudo pioneiro com ratos. Em 2000, demonstraram em macacos. Em 2004, em seres humanos.
O termo interface cérebro-máquina (brain-machine interface) também foi criado por eles.
“A demonstração de 12 de junho é apenas a primeira etapa do projeto Andar de Novo”, frisa Nicolelis. “O objetivo dessa pesquisa é permitir que mais adiante paraplégicos possam andar novamente. No futuro, esperamos contar com mais laboratórios e mais pesquisadores.”
Oito jovens paraplégicos participam da pesquisa. Um será escolhido para dar o chute inicial da Copa.
“Mas os outros estarão juntos”, avisa Nicolelis. “É uma vitória de todos eles.”

sábado, 24 de maio de 2014

ENEM SE CONSOLIDA E BATE RECORDE COM 9,5 MILHÕES

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segunda-feira, 19 de maio de 2014

A seca já castiga São Paulo, mas para mídia só interessa o volume morto.


Na periferia de São Paulo, tambores para estocar água voltam à cena como forma de driblar torneiras secas

publicado em 19 de maio de 2014 às 13:17
Em Pirituba, o tambor d’água foi incorporado ao cenário, como forma de escapar do impacto da falta de água (Fotos Mohamad Hanjoura)
Racionamento afeta moradores de São Paulo e faz preços de alimentos subir
A falta de água prejudica população da região metropolitana e do interior do Estado
BLOG O MURAL: Por Lúcia Rodrigues, especial para o Viomundo
A falta de água em São Paulo é um problema que está longe de ser resolvido. Nem mesmo a forte chuva que caiu sobre a cidade neste domingo, 18, vai amenizar o sofrimento da população que convive com o corte no fornecimento de água potável nas torneiras, devido à falta de investimentos do governo do Estado na ampliação de novos mananciais e novas estações de tratamento.
A reportagem do Viomundo entrevistou diversas pessoas que estão sendo atingidas pelo racionamento no Estado, para entender quais são os principais transtornos gerados por decisões eleitoreiras como as do governador Geraldo Alckmin (PSDB), que preferiu esconder da população que as represas estavam secando, a admitir a falta de investimentos na área.
A equipe optou pela represa Jaguari, localizada na divisa de Minas Gerais, porque esse foi o reservatório escolhido por Alckmin para a solenidade de bombeamento do volume morto.
O cenário presenciado é caótico. A represa está praticamente seca. A água só pode ser vista em pontos isolados da região.
Para se ter uma ideia da gravidade da situação, vários moradores para encurtar o trajeto entre os bairros, optam por caminhar dentro do que antes foi o leito da represa Jaguari, uma das duas principais reservas hídricas da Cantareira, o mais importante sistema de abastecimento de água da Sabesp.
Vestígios de casas de um antigo vilarejo, que foi inundado pelas águas quando a represa foi construída, também podem ser vistos no que já foi o fundo do reservatório. Piers que serviam de ancoradouro para os barcos dos moradores dos condomínios de luxo que existem à beira da represa despencam por falta de água.
Mas esses estão longe de serem os principais problemas que os moradores enfrentam com a falta de água.

Empobrecimento
O racionamento de água rebate na queda do poder aquisitivo das famílias mais pobres que moram no entorno da represa.
A vendedora de caldo de cana Maria Aparecida Alves Lopes, 39 anos, mãe de três filhos, está desesperada. Desde que o reservatório começou a secar, ela viu o orçamento da família cair drasticamente. “Vocês são os meus primeiros clientes, hoje. Tá difícil manter a casa”, revelou à equipe de reportagem do Viomundo, no último sábado, 17, por volta das 14h.
Ela e o marido, não têm outra fonte de renda e sustentam a família (dois filhos, um de quatro anos e outro de 14, e uma filha desempregada, de 19 anos), com o que extraem das vendas do caldo de cana. “O turismo acabou aqui. E olha que já chegou a vir gente até do Chile, da Argentina… Agora só vemos os jet skys e as lanchas indo embora”, lamenta.
O preço dos alimentos subiu em espiral por falta de água para a irrigação. O quilo da batata antes do esvaziamento da represa era comprado, segundo ela, a R$ 1,50, R$ 2, agora saltou para R$ 6. “Pra gente ficou tudo bem mais caro: batata, milho, quiabo…”
A falta de água em casa tem sido driblada por Maria Aparecida, com um poço que existe no fundo de sua residência. “Quem não tem poço, tá sem água.”

São Paulo sem água
A sogra dela que mora em Pirituba, região noroeste da capital paulista servida pela represa Jaguari, é uma das que não têm água nas torneiras.
A reportagem do Viomundo foi até o local para conferir como esse drama atinge milhares de pessoas na região metropolitana de São Paulo.
Ao contrário da nora, a dona de casa Maria de Lurdes Alves Lopes, 58 anos, não tem um poço no fundo de casa. “Aqui (em Pirituba) tá todo mundo sem água. Ontem (sexta-feira, 16) eu andei o dia inteiro nos ferro-velhos pra comprar um latão (para fazer de reservatório), mas não tem mais. Com a falta de água, todo mundo comprou”, explica. Vizinhos dela, têm vários sobre a laje.
O quintal, ela nem lembra quando foi a última vez que lavou. “Só varro com a vassoura, senão o fiscal multa.” Mas o principal problema enfrentado, de acordo com ela, é para lavar roupa. “A água chega de madrugada. Ontem não veio e esta noite chegou às duas da manhã… mas eu não ia levantar nesse horário pra guardar água no tanquinho e na máquina…”, comenta.
Ela revela que a frequência da água no bairro tem sido dia sim, dia não. E conta que já pensa em comprar uma caixa de água menor do que a sua, para manter uma reserva.
Viúva, Maria de Lurdes enfrenta a falta de água com a filha, o genro e o neto, de 13 anos, mas considera ainda mais grave o caso de famílias que têm filhos pequenos. “Pra quem tem criança a situação é ainda pior. A gente pode juntar e lavar uma vez por semana, mas quem tem criança pequena faz o quê?” questiona.
Esse é o caso professora de educação infantil Gislaine Ferreira, 35 anos. Mãe de um adolescente de 16 anos e uma menina de um ano e cinco meses, ela ressalta que passa o dia todo fora de casa e que no horário em que retorna não tem água nas torneiras para executar as tarefas do lar. “A gente trabalha o dia todo fora, meu tempo disponível pra fazer as coisas em casa é à noite, mas não posso, porque não tem água. Aí fica complicado.”
“Para onde vai tanto dinheiro”, pergunta, ao se referir à falta de investimentos para evitar o racionamento de água. “Quem tá no comando não vai fazer nada? Vai ficar assistindo? No Palácio dos Bandeirantes não falta água, lá é tudo bem limpinho”, critica.
“A gente tá a mercê, mas as eleições estão aí…”, adverte.
[Para ver uma galeria de fotos, clique aqui]

Comerciantes também sofrem
O gerente da padaria do bairro, Paulo José Flores (foto acima), 33 anos, não tem dúvida de quem é o responsável pelo desabastecimento de água. “A culpa é do governo, porque sabia há bastante tempo que a água ia faltar e não fez nada… Agora quem paga é a gente…”, afirma revoltado.
O chapeiro do mesmo estabelecimento, Dionísio de Abreu, 52 anos, revela como o racionamento atrapalha os comerciantes que dependem da água para suas atividades. “Aqui tem água dia sim, dia não e isso atrapalha demais a higiene geral da padaria. É mais trabalho pra lavar copos, pratos…”
Em casa a situação também é de penúria. “Nos dias em que falta água, banho só de canequinha. Nunca vi um problema como este, já tem três, quatro meses com essa falta de água…”, recorda Dionísio.
A dona de casa Maria de Lurdes também afirma que não se lembra de ter enfrentado um problema tão grave de falta de água no bairro. “Nasci e me criei em São Paulo, nunca vi nada igual. E a tendência é piorar… Você viu aquela água que tão tirando (do volume morto)? Tá saindo marrom… Eles vão ter que tratar, mas a água deve ser pior”, ressalta, preocupada com a saúde da família.
O aposentado Zélio Pinheiro, de 75 anos, morador às margens da represa Jaguari, também conta que nunca passou por um problema parecido. “Nunca vi uma coisa assim na minha vida. A gente fica preocupado com a água sumindo. Como é que a gente vai ficar?”, pergunta apreensivo.
Mas não só os mais idosos que se preocupam com a falta de água. Os estudantes universitários Caio Custódio, de 18 anos, e sua namorada, Ana Carolina Poleti, de 19 anos, tiraram a tarde do último sábado, 17, para fazer uma visita ao que já foi uma imponente represa. “Antigamente, a gente vinha com os pais aqui, para pescar. Hoje é triste voltar… Nossa… como tá seca”, afirma surpreso.
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domingo, 18 de maio de 2014

O prazer de trocar figurinhas da copa do mundo do Brasil.

Fotos arquivo pessoal
BLOG O MURAL:  Desde 6 de abril figurinhas e álbum está a disposição da população nas bancas de todo o Brasil. A empresa não divulga qual é a quantidade distribuída, mas especulações dão conta de inicialmente, 8,5 milhões de exemplares em todo o país, com previsão de reimpressão. O álbum também foi lançado em mais de 110 países.

Agora quem nunca abriu um pacote de figurinhas e esperou por aquela que finalmente iria completar o álbum, ou aquela que quase ninguém tem, não sabe descrever a emoção. Esse é o sentimento de todo colecionador, novo ou antigo, que trabalha para completar o álbum de figurinhas da Copa do Mundo do Brasil.

Fotos arquivo pessoal
A mãe ajuda a filha a encontrar os números que faltam no seu álbum no pacote de repetidas, ela também acha que o movimento trouxe mais desenvoltura a filha. “Ela é muito introvertida. Aqui, ela tem que chegar e conversar com as pessoas e isso ajuda bastante”. Podemos destacar outros pontos positivos, como caso do Seu Paulo Tarço de Almeida que aos 69 anos, encontramos todo empolgado a procura da ultima figurinha para fechar seu álbum da copa. Ele nos contas que isso é um prazer que ele não pode descrever, pois na sua infância era muito difícil ter dinheiro para comprar e até mesmo colecionar figurinhas, “mato aqui a saúde da minha infância difícil” diz Paulo.

Fotos arquivo pessoal
O Washington e Valdirene proprietário da Banca Sales, na AV: Armando Sales, ponto de troca da cidade está eufórico, ele diz: “na outra copa (2010) já foi assim uma grande quantidade de gente passando por aqui (Banca Sales) para passar parte da manha de domingo trocando figurinha da copa, isso é bom, porque mostra que todos gostam de compartilhar e trocar” Sorridente e gentil sua esposa atende os clientes que compram as figurinhas, pois muitos preferem os famosos pacotinhos fechados para abrir, que pedem na troca pelas repetidas. Ele não quis informar quanto vende no domingo de figurinhas, todo sem jeito ele manda chutar o número...

Fotos arquivo pessoal
  É impossível dizer ao certo quanto de figurinha se envolve nas trocas, mas passar parte da manhã de domingo trocando figurinha com pessoas que conhecemos na cidade e outras que nunca vimos, é um prazer imensurável, pois encontramos neste posto de troca moças, rapazes, idosos, jovens, crianças, mães com bebês de colo, avós com netos, pais com seus filhos assim como eu, enfim todos se encontram no domingo de manha na banca Sales, para trocar não só figurinhas, mas também um gesto de amizade e cooperação na coleção das figurinhas da copa do Mundo do Brasil.   


Fotos arquivo pessoal

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Fotos arquivo pessoal

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sexta-feira, 16 de maio de 2014

Os 10 erros da Sabesp que provocaram a falta de água em São Paulo.


A represa Jaguari, que integra o Sistema Cantareira
A represa Jaguari, que integra o Sistema Cantareira

BLOG O MURAL: Com o volume morto do Sistema Cantareira se aproximando das torneiras do cidadão de São Paulo, resta ao governador Alckmin administrar o que sobrará do principal manancial, inaugurado em 1974.
Se a projeção do comitê de gerenciamento de crise é uma seca a cada 3.374 anos, a Sabesp deveria deixar de fazer exercício de futurologia e encarar o assunto com seriedade. Como deixou de fazer a lição de casa, deveria se preparar para as interferências no meio urbano e acompanhar com lupa o que se passa no seu maior mercado consumidor: a região metropolitana de São Paulo.
O Sistema Cantareira suportou por 40 anos todo tipo de agressão, da exploração irracional à leniência com ocupações irregulares, e agora a ameaça torna-se mais clara a cada malabarismo do governo do estado. Podemos elencar a crise em dez pontos principais:
  1. A Sabesp aposta na metade do volume morto do Sistema Cantareira (5% do total da capacidade) como segurança hídrica para o mês de novembro. Algo similar ao usar o cartão de crédito quando a conta está com o limite esgotado. Como não há alternativas a curto e médio prazos, a falta de água será inevitável.
  2. Se não há segurança sobre o volume de chuvas para novembro, dezembro de 2014 e janeiro de 2015, estão escancaradas a falta de competência e planejamento da Sabesp. Dependente unicamente do clima. Sem alternativas viáveis, faltará água em 2015 também.
  3. Se a região metropolitana continua dependente do Sistema Cantareira, como apontava a Outorga de 2004, as iniciativas do governo junto à Agência Nacional de Águas – ANA – chegaram apenas quando já se anunciava a possibilidade de rodízio e o nível do sistema chegava aos míseros 10% de sua capacidade. Para qualquer correção de rumo como as anunciadas por Alckmin, serão necessários ao menos cinco anos para a construção de um novo sistema de abastecimento.
  4. Se 49% das ações da Sabesp estão nas mãos de investidores que buscam liquidez no mercado com rendimentos cada vez mais insatisfatórios dos papéis, a margem de investimentos na recuperação da sucateada rede de distribuição será mais uma vez protelada, mantendo o volume de perdas no patamar de 7m³/s.
  5. Há falta de uma política de proteção de áreas de produção de água pela Sabesp, com a construção de sucessivos condomínios de alto padrão nas bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí. Inserir áreas produtoras de água na lógica da especulação imobiliária tem resultado na redução da produção. A perspectiva dos especialistas é contínua perda de vazão, cenário nada adequado para a realidade do Sistema.
  6. As Parcerias Público-Privadas para a ampliação e construção do novo Sistema São Lourenço – que demandará desmatamento inédito de largo trecho de mata atlântica – colocam o sistema na “roda viva” do sistema financeiro, transformando água em mercadoria, elevando a tarifa da conta de água.
  7. O treinamento de equipes para “educar” a população para o racionamento é irrisório diante do quadro crítico a que se chegou. A Sabesp não possui prática de largo programa de educação ambiental em período de abundância de água. Em período de seca, adotar políticas educativas está mais próximo do desespero administrativo do que ação de planejamento ambiental.
  8. A política de reuso é parte da política da Sabesp de tratar água como mercadoria. Com vendas em alta, os acionistas agradecem.
  9. A falta de credibilidade da Sabesp com publicidade em outros estados do país imprime sua imagem como empresa que busca novos mercados em saneamento, como lixo e estações de tratamento de esgoto.
  10. A despoluição de corpos d’água é ação secundária da política de saneamento da Sabesp.
Sobre o Autor
Edson Domingues, 45 anos, é escritor, ambientalista e autor de projetos de sustentabilidade na periferia de São Paulo. Formado pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, FESPSP.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Denuncia: GOVERNO DE SÃO PAULO DEIXA DE REPASSAR R$ 2 BI EM 6 ANOS


GOVERNO DE SÃO PAULO DEIXA DE REPASSAR R$ 2 BI EM 6 ANOS

Ao contrário do que diz o Reitor Zago, as causas da Crise Financeira da USP são muitas. Nenhuma delas, responsabilidade dos que estudam e trabalham para garantir as atividades vitais de produção de conhecimento na USP.

Como denunciou a ADUSP (Associação dos Docentes da USP), as Universidades Estaduais Paulistas tiveram quase 2 BILHÕES DE REAIS sonegados pelo Governo do Estado de São Paulo nos últimos 6 anos. Trata-se de uma Verba destinada às Universidades por uma Lei Estadual.

Nos indigna o fato do Reitor Zago, mesmo tendo mandado uma carta à toda Universidade de São Paulo, culpabilizando os salários dos funcionários e professores, mesmo recebendo um supersalário ilegal, de valor superior ao do Governador do Estado, ter omitido essas informações. Onde está a transparência, Zago?

Fonte: http://www.adusp.org.br/index.php/campanha-salarial-2014cs/1921-mais-um-capitulo-na-sonegacao


BLOG O MURAL:  Ao contrário do que diz o Reitor Zago, as causas da Crise Financeira da USP são muitas. Nenhuma delas, responsabilidade dos que estudam e trabalham para garantir as atividades vitais de produção de conhecimento na USP.
Como denunciou a ADUSP (Associação dos Docentes da USP), as Universidades Estaduais Paulistas tiveram quase 2 BILHÕES DE REAIS sonegados pelo Governo do Estado de São Paulo nos últimos 6 anos. Trata-se de uma Verba destinada às Universidades por uma Lei Estadual.
Nos indigna o fato do Reitor Zago, mesmo tendo mandado uma carta à toda Universidade de São Paulo, culpabilizando os salários dos funcionários e professores, mesmo recebendo um supersalário ilegal, de valor superior ao do Governador do Estado, ter omitido essas informações. Onde está a transparência, Zago?