sábado, 4 de maio de 2013

Como uma criança vira monstro


BLOG O MURAL:  Ao longo dos últimos dias, o país mergulhou em um debate doloroso. Em vez de estarmos nos debruçando sobre como estimular a nossa juventude a crescer do ponto de vista moral e intelectual, estivemos discutindo acaloradamente sobre como mudar as leis para punir com maior rigor os jovens infratores da lei. Será este o debate que devemos fazer? O blogueiro Eduardo Guimarães  faz uma análise fria e correta sobre o tema. Veja que ele diz.
Esse debate, em si, representa o fracasso da geração que comanda os destinos da nação – e esta premissa não se reduz a partidos políticos, mas a cada um de nós, pais, empresários, trabalhadores, políticos, legisladores, magistrados, educadores, religiosos etc.
O Estado brasileiro, no âmbito dos governos federal, estadual e municipal, de suas Casas Legislativas e do Poder Judiciário, não pode ser responsabilizado unicamente pelo fracasso diante do qual estamos, representado por seres que, até ontem, eram crianças, mas que, hoje, transformaram-se em verdadeiros monstros.
Os casos da dentista de São Bernardo do Campo (SP) que foi queimada viva por quatro rapazes, sendo um deles menor de idade, ou do rapaz que foi assassinado com um tiro na cabeça por um outro menor ao ter seu celular roubado por ele, chocaram o país e desencadearam, de novo, o debate sobre maioridade penal.
Não foram só esses casos, por óbvio, que ressuscitaram o debate sobre redução da maioridade penal. Os crimes violentos aterradores que se vê a toda hora neste país, sobretudo os cometidos por menores, fizeram o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, propor mudança no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) a fim de que pessoas de 16 anos sejam tratadas pelas leis penais como adultos.
Essa é uma discussão dolorosa porque, dado o nível de horror que crimes como o da dentista de São Paulo encerram, pessoas se mostram assustadas a um ponto em que começam a acreditar em “soluções” como a proposta pelo governador de São Paulo.
O grupo social minoritário que se opõe a esse caminho e o amplamente majoritário que se inclina por ele produziram muitos argumentos. Vale a pena dissecá-los.
A discussão menos ilógica da redução da maioridade penal nos empurra para a pura e simples extinção de qualquer idade-limite, pois de nada adiantaria reduzi-la para 16 anos já que jovens de idades mais tenras também cometem crimes horrorosos e, assim, não subsiste uma só justificativa que sustente os 16 anos como ponto de inflexão entre adolescência e maturidade.
Houve propostas dos adeptos da redução da maioridade penal no sentido de esta ser usada apenas para crianças e adolescentes que cometam crimes hediondos como o da dentista, ou mesmo para os que cometam qualquer tipo de assassinato.
Ainda assim, ficariam de fora os atos de violência que não resultem em perda de vida da vítima. Desse modo, haveria que apenar criminalmente como adultos os menores de qualquer faixa etária que pratiquem crimes violentos.
Até aí, pulamos da redução da maioridade penal aos 16 anos para a punição como adulto de qualquer adolescente e até de crianças, pois uma criança de 8 ou 10 anos que aborde alguém num semáforo com uma faca nas mãos e, como já ocorreu várias vezes, enfie o instrumento perfurante no pescoço do assaltado, seria vista como “irrecuperável”.
Neste ponto, vale analisar o quadro da violência e da criminalidade no Brasil para que se possa mensurar se essa discussão sobre maioridade penal faz sentido.
Segundo o RELATÓRIO NACIONAL DO ESTADO BRASILEIRO apresentado pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos da Presidência da República ao MECANISMO DE REVISÃO PERIÓDICA UNIVERSAL DO CONSELHO DE DIREITOS HUMANOS DAS NAÇÕES UNIDAS em 2012, o Brasil possui cerca de 513.802 pessoas mantidas em unidades do sistema carcerário e da polícia.
Esse relatório mostra um dado que todos intuem, mas que é pouco difundido: a população carcerária brasileira tem perfil preponderantemente jovem, masculino, negro e de baixa escolaridade.
Sempre segundo dados oficiais do Brasil, em 2011 53,6% da população no sistema penitenciário tinha entre 18 e 29 anos, 93,6% eram homens, 57,6% eram negros e pardos e 34,8% eram brancos. Além disso, 45,7% da população do sistema penitenciário possuía ensino fundamental incompleto, enquanto apenas 0,4% possuía ensino superior completo.
Um outro dado importante é o de que, segundo dados da Secretaria Nacional de Direitos Humanos levantados pelo Globo, há só 60 mil adolescentes cumprindo medidas socioeducativas no Brasil, sendo 14 mil em regime de internação e os demais em regime aberto.
Ou seja: apenas 14 mil adolescentes cumprem penas de privação de liberdade, contra 513.802 adultos. Toda essa discussão sobre maioridade penal, portanto, está focada em 2,72% do problema da violência e da criminalidade no país.
Vê-se, assim, que o problema está longe de ser o infrator de 16 anos. E que a redução de idade penal proposta pelo governador de São Paulo é uma quimera, um engodo, uma conversa fiada destinada a dar alguma resposta a uma sociedade acuada por uma situação inacreditavelmente explosiva que está se formando.
Não há nada demais em discutir o que fazer com uma criança ou um pré-adolescente ou mesmo um adolescente que cometam barbaridades. O problema é que a discussão da maioridade penal aos 16 anos nos levará a outras envolvendo crimes infanto-juvenis e, assim, ficaremos discutindo o problema pelo ângulo errado.
Até este momento, não discutimos o xis da questão: o que está acontecendo com um país em que crianças e adolescentes se transformam em feras enlouquecidas capazes de uma barbaridade como queimar viva uma mulher que não tinha dinheiro para dar a assaltantes?
A discussão da maioridade penal nunca vai tão fundo. Fica na superfície da “solução” rápida, mas sem refletir, por um segundo, que depois da redução para 16 anos virá a redução para faixas etárias inferiores e, depois desta, a extinção de idade mínima para ser responsabilizado criminalmente por qualquer tipo de ação infringente da lei.
Isso mudará o fato de que crianças estão sendo transformadas em monstros por mecanismos sobre os quais quase ninguém quer refletir? É de duvidar que alguém, em sã consciência, acredite que a mudança da lei fará esse processo de criação de aberrações infanto-juvenis ser interrompido por extinção restrita ou irrestrita da maioridade penal.
Como crianças viram monstros como o garoto que supostamente ateou fogo ao corpo embebido em álcool da dentista de São Bernardo do Campo? Já nasceram assim?
Não se pode acreditar que no código genético dos brasileiros esteja inscrita uma anomalia que não há em outros países que não têm problemas de menores violentos como os que temos aqui. Afinal, mesmo aqueles que pensam ser de uma “raça” diferente da maioria deveriam saber que todos os brasileiros temos características genéticas em comum, seja o cidadão branco, negro, nordestino ou sulista.
O fato de alguns poucos terem características físicas diferentes não muda o fato de que somos um país só.
O perfil do presidiário brasileiro, portanto, explica como uma parte ínfima de nossas crianças pobres é empurrada para o crime e, usando drogas e convivendo com adultos violentos, acaba se convertendo em monstros como os que temos visto.
Nas comunidades mais pobres, principalmente em favelas dominadas pelo tráfico, gerações de brasileiros cresceram e continuam crescendo tendo como “exemplo” traficantes e bandidos perigosos, que recrutam entre a juventude, inclusive na idade mais tenra, os futuros “soldados do crime”.
O critério de recrutamento não visa o uso de jovens inimputáveis penalmente. Essa é uma empulhação. Por isso é que só 2,7% dos criminosos encarcerados no Brasil são menores. Afinal, não se pode acreditar que alguém cometa crimes pensando em ser preso.
O processo de deformação que cria jovens monstros está na desestruturação familiar, na ignorância, na pobreza, nas drogas e, acima de tudo, nos exemplos que crianças recebem enquanto crescem, vendo bandidos nas comunidades pobres saírem da pobreza com essa fórmula “mágica” de tomar dos outros o que não pode conseguir honestamente.
Afinal, o jovem brasileiro pobre sabe que a escola não irá ensiná-lo, que se for negro ou mestiço não será “bem visto” por um mercado de trabalho que, segundo incontáveis estudos, ainda discrimina os brasileiros de origem africana e com traços africanos mais marcantes. Assim, é tentado pelo crime como forma de ascensão financeira.
Os adeptos da redução da maioridade penal costumam usar o exemplo dos países ricos. Em países como a Inglaterra, por exemplo, já houve casos de crianças de 8, 10 anos presas por terem cometido crimes violentos. Em muitos desses países a idade de responsabilização penal é menor ou não existe.
Falta refletirmos sobre as condições das crianças inglesas, por exemplo, e das brasileiras. São as mesmas? Alguém vê hordas de crianças miudinhas espalhadas pelas ruas de Londres fumando crack, dormindo nas ruas, prostituindo-se etc.?
O que você espera que essas crianças pelas quais passa todo dia nas ruas e vê chafurdando em todos esses dramas se tornem? Cidadãos exemplares? Você já refletiu que essas crianças não nasceram criminosas em potencial, mas que a continuarem nessa situação se tornarão monstros como o que queimou a dentista viva?

De que adiantaria reduzir a maioridade penal?

BLOG O MURAL: A resposta para diminuir a criminalidade do Brasil não está na punição e, sim, na prevenção.
As prisões deveriam servir, também, para a reeducação e ressocialização dos criminosos
Sempre que algum crime hediondo é cometido por um menor de idade, a comoção popular é enorme e a discussão sobre a redução da maioridade penal é reavivada. A reportagem do D.C.M.(Diário do Centro do Mundo) é aquilo que o blog defende. 
Só não podemos esquecer que o PSDB com suas politicas sociais não deram conta do recado, pois são 20 anos de PSDB, e os jovens delinquente de hoje é justamente aqueles que estão a margem das estruturas sociais e politicas de Estado, o que mostra que o modelo adota é ultrapassado e não traz nenhum resultado..
Recentemente, algumas ideias e propostas foram levantadas, inclusive pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Ela versa sobre penas mais duras (que poderão passar de 3 a 8 anos), mas não à redução da idade penal em si, pois isto envolveria uma modificação da constituição. O conjunto de propostas levantadas inclui também a modificação, para que os menores infratores que completarem 18 passem para a penitenciária comum (na proposta de Alckmin, caso a caso será avaliado, e os internos serão realocados a uma área específica da Fundação Casa, algo como um mini-presídio).
Isto, entretanto, é efetivo?
Adianta tornar as penas mais severas, quando um presidiário não pode passar mais do que 30 anos na cadeia no Brasil, e a maioria é liberada com 1/6 da pena cumprido, apenas, devido a bom comportamento? Prolongar as penas funcionaria em um país com um sistema presidiário sucateado, que mal e mal comporta os presidiários que já tem? E cujos criminosos, por sinal, continuam a agir, mesmo dentro da cadeia, desfrutando de diversas benesses, graças a (mas não somente) funcionários corruptos?
A intenção da prisão não é a punição única e exclusivamente, mas a reeducação e ressocialização. Muitos advogam a favor da pena de morte. Pelo que tenho acompanhado nos últimos anos, não há sinal de que este tipo de pena diminua a criminalidade. Tais alterações na maioridade penal, no prolongamento de penas e congêneres servem apenas de medida paliativa. Por que em países mais desenvolvidos a criminalidade é menor? Por que em Israel, que vive em guerra civil, a criminalidade é menor?
A resposta está na prevenção. A solução para a criminalidade brasileira não pode depender de um pilar singular, mas sim de diversos fatores: primeiro, educação da população. Segundo, direitos e oportunidades iguais e uma distribuição de renda mais igualitária — o que é algo utópico em um país cuja maior cidade tem favelas lado a lado com prédios de luxo, mas que ainda assim deveríamos buscar. E, por fim, policiamento extensivo. Esta tática já foi implantada em Nova York, com resultados surpreendentes na redução da criminalidade. Porque é lógico: se tem um policial no mesmo quarteirão em que você está andando, quem vai querer te assaltar? É o mesmo princípio das UPP’s; entretanto, por toda a cidade.
Estamos caminhando, espero, para o objetivo certo; só precisamos adequar o caminho. Mais do que brigar pela redução da maioridade penal (que não é realidade, em geral, no mundo, pois a maioria dos países considera 18 anos como o limite etário legal), as marchas de conscientização, como as que ocorreram em abril, deveriam requisitar um aumento extensivo do policiamento e a melhora da educação e das condições de vida.
E, quem sabe, chegaremos ao dia em que tais atrocidades serão apenas notas de rodapé de livros de história.
Enquanto houver tal desigualdade, é difícil encontrar uma solução para a violência

AGNELO SANCIONA LEI QUE REAJUSTA PROFESSORES

quarta-feira, 1 de maio de 2013

1° de maio. Parabéns a todos os trabalhadores




BLOG O MURAL: O Dia do Trabalho é comemorado em 1º de maio. No Brasil e em vários países do mundo é um feriado nacional, dedicado a festas, manifestações, passeatas, exposições e eventos reivindicatórios.  
A História do Dia do Trabalho remonta o ano de 1886 na industrializada cidade de Chicago (Estados Unidos). No dia 1º de maio deste ano, milhares de trabalhadores foram às ruas reivindicar melhores condições de trabalho, entre elas, a redução da jornada de trabalho de treze para oito horas diárias. Neste mesmo dia ocorreu nos Estados Unidos uma grande greve geral dos trabalhadores. 
Dois dias após os acontecimentos, um conflito envolvendo policiais e trabalhadores provocou a morte de alguns manifestantes. Este fato gerou revolta nos trabalhadores, provocando outros enfrentamentos com policiais. No dia 4 de maio, num conflito de rua, manifestantes atiraram uma bomba nos policiais, provocando a morte de sete deles. Foi o estopim para que os policiais começassem a atirar no grupo de manifestantes. O resultado foi a morte de doze protestantes e dezenas de pessoas feridas. 
Foram dias marcantes na história da luta dos trabalhadores por melhores condições de trabalho. Para homenagear aqueles que morreram nos conflitos, a Segunda Internacional Socialista, ocorrida na capital francesa em 20 de junho de 1889, criou o Dia Mundial do Trabalho, que seria comemorado em 1º de maio de cada ano. 
Aqui no Brasil existem relatos de que a data é comemorada desde o ano de 1895. Porém, foi somente em setembro de 1925 que esta data tornou-se oficial, após a criação de um decreto do então presidente Artur Bernardes. 
Fatos importantes relacionados ao 1º de maio no Brasil:  
- Em 1º de maio de 1940, o presidente Getúlio Vargas instituiu o salário mínimo. Este deveria suprir as necessidades básicas de uma família (moradia, alimentação, saúde, vestuário, educação e lazer) 
- Em 1º de maio de 1941 foi criada a Justiça do Trabalho, destinada a resolver questões judiciais relacionadas, especificamente, as relações de trabalho e aos direitos dos trabalhadores.

Sorocaba : 543 casos confirmados de dengue. Em Porto Feliz quantos casos temos?




BLOG O MURAL:  Os casos de mortes por suspeita de dengue em Porto Feliz põem em alerta a nós todos, pois não é nenhuma mera coincidência duas mortes em menos de uma semana, mais ou menos com mesmos sintomas e na mesma região, e agora a pouco fiquei sabendo que na creche do mesmo bairro também tem um caso suspeito de uma criança que lá esta matriculada.

Cabe a nós moradores da cidade ficar com a atenção redobrada e em alerta máximo para qualquer suspeita chamar as autoridades competentes no assunto para averiguar.

Já o poder público tem que redobrar suas equipes de vigilância, para em qualquer sinal de foco fazer o combate eficiente e certeiro, para que não ocorra o que esta ocorrendo em Sorocaba.
Veja a matéria do Cruzeiro do Sul.


O novo boletim divulgado nesta segunda-feira (29) pela Área de Vigilância em Saúde da Secretaria da Saúde de Sorocaba (SES) mostra que, desde o início do ano até a última sexta-feira (26), foram confirmados 543 casos de dengue na cidade. Deste total, 453 casos são autóctones (contraídos na própria cidade) e 90 são importados (contraídos em outras localidades).

Uma análise epidemiológica do surto em andamento na cidade aponta algumas características e informações sobre a evolução da dengue em 2013. Do total de 10.708 notificações de casos suspeitos até o dia 26 de abril, 10.165 (94,9%) foram descartados. Comparando com o mesmo período de 2011 (ano em que o município também enfrentou um surto), nas últimas semanas, o número de casos confirmados de dengue está menor. Mesmo assim, a Área de Vigilância em Saúde faz um alerta: a previsão é que o número de casos tenha um aumento significativo nas próximas duas semanas.

Ainda de acordo com o último boletim, a maioria dos casos da doença confirmados na cidade apresenta-se sob a forma de dengue clássica, com o registro de alguns casos com complicações leves a moderadas. Em fevereiro, foi registrado um óbito pela doença (um menor de 13 anos). O documento mostra ainda que há casos positivos de dengue em todas as faixas etárias, concentrando-se nas pessoas com idades entre 20 e 39 anos.

Todas as ações de controle continuam sendo intensificadas nas regiões que apresentam casos de dengue. A SES pede o apoio da população no combate ao mosquito transmissor: é necessário que cada cidadão fique atento em sua casa e em seu local de trabalho, eliminando todos os materiais que possam acumular água e assim, possam se tornar criadouros do Aedes aegypti.

sábado, 27 de abril de 2013

blog ficou fora de combate, mas já voltou.


BLOG O MURAL:  Caros leitores do blog, neste mês de março e abril ocorreram pequenos problemas com minha pontualidade de post, mas espero que daqui para frente não ocorra mais.


Primeiro problemas foi o meu pc que queimou a placa mãe (e como demorou essa placa para chegar) e tive que concertar, mas como já escrevi aqui estava muito corrido para mim desde janeiro. Aliás visitei desde janeiro mais de 20 cidades com minha proposta de representação, e por isso tive que concentrar forças neste trabalho.

O segundo fato foi, de que, durante esse período tive uma grata surpresa, minha vaga no concurso público de 2010 de professor de geografia estava a minha disposição na secretária. Assim pude assumir minha profissão de fato, que é professor, agora estou no fim do meu primeiro mês de trabalho na escola Antonio de Pádua Martins de Melo, estou me familiarizando com os alunos e como os colegas de trabalho, assim esse mês também foi muito corrido com tarefas de escola e de assessoria.

Mas hoje tive a grata surpresa de que meu pc ficou pronto, demorou, mas ele esta super bom com o que há de melhor no mercado (segundo o técnico), e estou testando eles, e me parece muito bom mesmo.
A partir de agora é fôlego novo para nossos post e para o blog, estou em fase de mudança no blog, por isso até julho teremos novidades, aguardem.

Desde já agradeço a compreensão de todos, e aproveito para agradecer os e-mails que recebi de solidariedade e de cobrança sobre o blog, podem esperar pessoal esse blog ficará ativo e atento a tudo.  

domingo, 21 de abril de 2013

Professores de SP fecham Avenida Paulista e decretam greve

BLOG O MURAL: Na primeira paralisação iniciada nesta gestão do governador Alckmin, docentes reivindicam reajuste salarial de 36,74% e mudança na forma de contratação de uma categoria de temporários; para governo, agenda do sindicato é 'político-partidária', será que é isso mesmo. A uma parcela significativa da sociedade que diz que sem educação não se controem uma nação, e olha, que a voz do povo é a voz de Deus....diz o ditado popular.....

Danielle Villela, de O Estado de S. Paulo
 - Epitácio Pessoa/AE
Epitácio Pessoa/AE
 
Professores da rede estadual de São Paulo fecharam a Avenida Paulista na tarde desta sexta-feira, 19, e, em assembleia conduzida pela Apeoesp - principal sindicato da categoria no Estado -, decidiram entrar em greve por tempo indeterminado. É a primeira vez que os docentes param nesta gestão do governador Geraldo Alckmin.
Os professores começaram a se concentrar no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp) por volta das 14 horas e chegaram a interromper a circulação de veículos de todas as faixas da Avenida Paulista. A Polícia Militar conseguiu primeiro desbloquear a pista no sentido Paraíso e, mais tarde, no Consolação.
Guiados por um carro de som, os manifestantes saíram em passeata em direção à Praça da República, onde fica a Secretaria Estadual de Educação. De acordo com a Apeoesp, cerca de 20 mil pessoas participaram do ato; a PM estimou em 5 mil.
Para o professor Elisário Silva, que trabalha na capital, falta atenção do governo. “A categoria pede há tempos o que tem de direito. A educação é a base do País.”
Entre as reivindicações, estão reajuste salarial de 36,74%, mudanças no sistema de contratação da categoria de temporários (chamada de O) e cumprimento da jornada de trabalho de, no mínimo, 33% para atividades de formação e preparação de aulas - o governo entende que já cumpre esse porcentual.
Adesão
A presidente da Apeoesp, Maria Izabel Noronha, a Bebel, disse esperar que até 25% da categoria paralisem as atividades na segunda-feira. Segundo a Secretaria Estadual de Educação, 10% dos docentes se ausentaram nesta sexta - diariamente, a média é de 6% de faltas. “Nossa esperança é de que o governo apresente uma proposta. Hoje foi uma resposta ao reajuste apresentado pelo governador.”
A decisão da greve foi tomada na semana em que o Estado anunciou a ampliação do reajuste salarial deste ano, de 6% para 8,1%. Com o aumento, o reajuste escalonado até 2014 passará de 42,2% para 45,1%. A atualização veio para compensar a inflação do ano passado, de 5,84% (IPCA). Os sindicatos reclamam que a política levou em conta porcentuais de bonificação que já eram pagos pelo governo.
Em nota, a Secretaria de Educação afirmou que as reclamações da Apeoesp se pautam em uma “agenda político-partidária”. Também ressaltou a política salarial e o atendimento da jornada. “Entre os principais objetivos da mobilização está a desconstrução do diálogo direto com a rede estadual”, afirmou. / COLABOROU PAULO SALDAÑA
CRONOLOGIA: Últimas paralisações
Julho de 2008
Só a reposição
Greve de 22 dias motivada por alterações na contratação de docentes temporários terminou com acordo que garantiu só a reposição salarial dos dias de paralisação.
Abril de 2010
Paralisação fracassada
Após um mês de greve e uma semana depois de José Serra deixar o governo para concorrer à Presidência, docentes voltaram ao trabalho sem ter nenhuma reivindicação atendida pelo Estado.

sábado, 20 de abril de 2013

A Terra é um ser vivo: E nós somos o seu sistema nervoso


Por Eduardo Araia
Falar de James Lovelock é falar de paradoxos. A começar por sua reputação de teórico inflamado e visionário e por sua aparência: magrinho, olhos azuis-claros, voz suave e sorriso infantil. Difícil imaginar que esse vovô alegre e brincalhão publicou um dos livros mais sombrios dos últimos anos sobre o futuro do planeta. Da mesma forma, é difícil acreditar que, por trás do ar inofensivo de aposentado, esse homem provocou mais de 40 anos de polêmicas no mundo da ciência com sua hipótese Gaia – que ele batizou com o nome da deusa grega da Terra –, segundo a qual nosso planeta seria um ser vivo.
Foi há quase meio século que Lovelock, na época com 42 anos, assumiu, algo por acaso, o destino de teórico da ciência – bem como o de semeador de encrencas. Ele era, então, um obscuro biofísico britânico, médico de formação, que concebera vários aparelhos engenhosos – "naqueles tempos, os cientistas fabricavam eles mesmos seus instrumentos, pois ninguém tinha dinheiro para comprá-los nas lojas", recorda ele. Alguns desses aparelhos permitiam a detecção de substâncias em concentrações muito baixas, pelo método da cromatografia gasosa, e interessaram à Nasa, que então desenvolvia um programa de exploração de Marte. Para obter esses detectores, a agência norte-americana trouxe seu inventor, que chegou em 1961 ao Jet Propulsion Laboratory (JPL), na Califórnia, com a missão estritamente técnica de adaptar os aparelhos às exigências das naves espaciais.
Mas – traço indelével de seu caráter – o inventor logo resolveu se meter onde não era chamado. "Logo de cara, disse aos biólogos da Nasa que as experiências que eles planejavam eram ridículas: implicitamente, elas partiam do princípio de que as formas de vida em Marte seriam semelhantes àquelas do deserto da Califórnia!" O tom das discussões engrossou e Lovelock foi chamado ao escritório do diretor, furioso por causa do clima de conflito entre os biólogos que ele trouxera a peso de ouro para o JPL. "Você tem três dias para me trazer uma proposta construtiva", ele disse a Lovelock.
James Lovelock, cientista britânico criador da Hipótese Gaia
James Lovelock, cientista britânico criador da Hipótese Gaia
Um sistema que favorece a vida
Três noites em claro mais tarde, Lovelock voltou ao JPL. Trazia um projeto ao mesmo tempo nebuloso e preciso. Sua ideia? Buscar uma "assinatura" global da vida, mais que dissecar algumas amostras demasiadamente locais. E a audácia de sustentar que, ao desvendarmos a composição química da atmosfera marciana pela análise da luz oriunda do Planeta Vermelho, poderíamos talvez perceber se essa atmosfera carrega a marca de seres que nela colhem nutrientes e nela lançam seus dejetos. Ou se, ao contrário, ali simplesmente nada acontece. A ideia de que um simples telescópio munido de um espectrofotômetro permitiria detectar a vida recolocava em questão todo o programa em curso. Os cientistas presentes imediatamente puseram cadeados nas portas, e solicitou-se ao sujeito que voltasse a seus instrumentos... e retomasse sua condição de homem livre e descompromissado o mais rapidamente possível.
A Nasa ficou para trás, mas isso pouco importava. Lovelock havia encontrado uma pista e, como bom sabujo da ciência, nunca mais a abandonaria. Em 1965, ele publicou na revista Nature um primeiro artigo sobre a análise a distância da vida em Marte. Dois anos depois, divulgou algumas das primeiras conclusões, amparadas no estudo da radiação infravermelha desse planeta comparada à da Terra. Eram conclusões extremamente engenhosas e inovadoras, baseadas no segundo princípio da termodinâmica, segundo o qual a matéria tende a uma crescente desordem, à qual se opõe a ação organizadora da vida.
"Expliquei que Marte estava próximo do equilíbrio químico e dominado em 95% pelo dióxido de carbono (uma molécula muito estável), enquanto a Terra estava num estado de profundo desequilíbrio químico", recorda Lovelock. "Em nossa atmosfera, o dióxido de carbono é raro. Aqui, porém, encontramos oxigênio em abundância, que coexiste com o metano e outras substâncias muito reativas." Ora, essa combinação é improvável num planeta onde atuam apenas as leis da química. Para o pesquisador, uma conclusão se impõe: é a vida que renova sem cessar todas essas moléculas e afasta a Terra do equilíbrio químico visto em Marte e Vênus. Esses dois planetas, portanto, estão mortos, enquanto a Terra está viva.
Num planeta no qual há vida, essa característica fica perceptível na atmosfera, onde seres animados colhem nutrientes e lançam dejetos.
Lovelock, que quando muito jovem queria ser médico, se debruça finalmente sobre as propriedades da Terra. E verifica que sua atmosfera, de composição química tão distante do equilíbrio, permaneceu notavelmente estável ao longo das eras. Um pouco como o sangue de um ser vivo. O mesmo se observa no que diz respeito à temperatura: à escala de centenas de milhões de anos, ela exibe uma surpreendente estabilidade. A radiação solar, no entanto, aumentou um terço desde o surgimento da vida na Terra. A propriedade de conservar sua temperatura constante enquanto a do meio circundante varia, a homeotermia, é característica dos animais mais complexos.
Enfim, o raciocínio chega à terceira etapa, a mais controvertida de todas. Lovelock constata que tanto a temperatura como a composição química tendem a valores quase ótimos para a criatura viva – como se o "objetivo" do sistema fosse favorecer a vida. De fato, uma atmosfera com duas vezes mais oxigênio causaria incêndios incessantes, enquanto o oxigênio mais rarefeito acarretaria vários problemas metabólicos para os seres vivos. Segundo Lovelock, a causa é bem clara e, após publicar artigos de grande repercussão, ele resumiu esses pensamentos em 1979 em sua obra de referência: A Terra É um Ser Vivo – A Hipótese Gaia.
Nela, defende a ideia de que a Terra é uma espécie de simbiose (uma associação biológica favorável a todas as partes que a compõem) gigante entre todos os seres vivos e o meio mineral, um superorganismo que se conserva no estado mais favorável possível à vida por meio de mecanismos de retroação (ou seja, o efeito agindo sobre a causa).
Marte (acima), pelas análises de Lovelock, tem uma atmosfera próxima do equilíbrio químico. Já a da Terra se encontra em profundo desequilíbrio químico – fator que indica a existência de vida. Isso levou o cientista britânico a criar a hipótese Gaia, nome da deusa grega (abaixo) associada ao nossso planeta.
Semente da discórdia
Um dos mais eminentes climatologistas norteamericanos da atualidade, David Archer, comenta: "Durante meu primeiro curso de biogeoquímica, fizeram-me ler os primeiros capítulos desse livro. Desde então, impus sua leitura a todos os alunos dos quais me tornei orientador." A ideia, hoje mundialmente aceita, de que é preciso pensar a Terra como um sistema no qual todas as partes interagem, e que biólogos, oceanógrafos, geólogos, meteorologistas, etc. devem trabalhar juntos para conseguir antecipar seu funcionamento, deve muito a Lovelock.
Mas, ao batizar seu objeto de estudo "Gaia", nome de uma divindade feminina (aconselhado por William Golding, Prêmio Nobel de Literatura em 1983), o teórico foi, para muitos, longe demais. Passou-se a recomendar muita prudência na leitura de seus livros, e em várias universidades ele passou a ser tratado como místico e teleólogo, pelo fato de que sua teoria parece conferir um sentido para a vida e a evolução. Imperdoável, para um cientista! Jovens pesquisadores foram inclusive advertidos de que o uso do nome "Gaia" num título de artigo ou trabalho científico podia arruinar ou macular seriamente uma carreira de cientista. Os biólogos, sobretudo Richard Dawkins, acusaram-no com virulência de questionar o darwinismo. Como caracteres "altruístas", favorecendo a biosfera em seu conjunto, e não o indivíduo ou a espécie, poderiam ter sido selecionados pela evolução? Quer-se introduzir aqui uma mão divina, argumentavam, indignados. E não faltaram sequer aqueles que lembravam que o segundo nome de Lovelock, Ephraim, dá testemunho de suas origens familiares rigidamente protestantes...
A independência de pensamento de Lovelock incomoda muita gente. Os ambientalistas, por exemplo, apreciam a metáfora de Gaia, mas se irritam com a defesa histórica que seu criador faz da energia nuclear – para o cientista, a principal fonte energética do futuro.
A simples menção dessas críticas consegue apagar o luminoso sorriso de Lovelock. "Os biólogos tornaram-se exageradamente belicosos por causa dos repetidos ataques desferidos contra eles pelos criacionistas. Assim que alguma coisa sai do seu padrão de pensamento, eles a interpretam como criacionismo e partem para o ataque. Além disso, fazem-no usando as próprias armas dos religiosos, um pouco como se A Origem das Espécies, de Darwin, fosse a nova Bíblia. Não estou minimamente em desacordo com o darwinismo. Minha teoria o engloba, mas em um nível superior. Um pouco como a teoria da relatividade supera, sem a contradizer, a física newtoniana."
Mas, assim sendo, o planeta vivo é apenas uma metáfora? "Claro, ele não é vivo como nós ou uma bactéria, e, nesse sentido, é mesmo uma metáfora", admite Lovelock. "Mas acho que a definição de vida dada pelos biólogos é demasiado restritiva. Afinal, falta a Gaia apenas a reprodução!"
Pode-se apostar que se, em vez de lançar mão do termo Gaia, ele tivesse batizado sua tese de "teoria biogeoquímica", como lhe fora aconselhado, teria evitado muitos aborrecimentos e gozaria de todas as merecidas honras de grande cientista. Mas, como um Dom Quixote da ciência, o obstinado doutor recusa baixar o tom de seus escritos, não admite a retirada de uma única vírgula e se mantém em permanente disputa com seus adversários. Isso lhe valeu um estatuto original de "cientista independente", fora das grandes instituições, inteiramente consagrado à defesa e à consolidação de sua teoria – mas não o impediu de publicar em sua carreira mais de 200 artigos, 30 dos quais na Nature, e de fazer várias descobertas importantes. Por exemplo, a do DMS, aerossóis sulfurosos emitidos pelas algas e capazes de esfriar a atmosfera oceânica. Eles constituem um bom exemplo de retroação "à moda de Gaia": se a temperatura aumenta, as algas proliferam, produzem mais aerossóis... o que, por sua vez, faz baixar a temperatura do oceano.
Tarde demais?
Em relação fria com a maioria das instituições científicas, Lovelock poderia ter se refugiado no seio de uma nova família que lhe estendia os braços: o movimento ecológico. Entusiasmados pela metáfora de Gaia, os ecologistas dos anos 1970 piscam os olhos para seu inventor. Mas desde o início o paradoxal Ephraim não pôde ser digerido pelo movimento verde. É que o homem, que não hesita em se declarar ecologista, é ao mesmo tempo um tecnófilo decidido. Claro, ele manifesta hostilidade à poluição e à excessiva intrusão humana no funcionamento normal de Gaia. Mas isso não o impede de ser, por exemplo, um defensor histórico da energia nuclear – e isso muito antes de a questão do aquecimento global aflorar.
O aquecimento global afetará profundamente a agricultura mundial, deixando-a inviável em diversas regiões do mundo.
"Numerosos verdes franceses, donos de belas mansões na Dordonha (sudoeste do país), vêm a mim para elogiar as vantagens do TGV, o trem ultrarrápido", conta o cientista. "Então, digo a eles: 'Mas vocês sabem que se trata de um transporte nuclear?' Eles, claro, soltam gritos de protesto. Mas isso é verdade! A maior parte dos verdes é feita de burgueses urbanos e bem posicionados na vida. São cheios de boas intenções, mas não entendem nada de ciência nem da realidade."
Embora sempre denunciando as ações poluidoras e os atentados aos ciclos naturais, Lovelock tem se mantido a boa distância de um catastrofismo muito em moda nos meios ecologistas. Para ele, Gaia é bem mais forte que os homens e, no fundo, apenas superficialmente atingida por seus caprichos, mesmo os mais insanos. Ou, melhor dizendo, ele pensava assim: recentemente, mudou quase que radicalmente de posição e, em sua última obra, A Vingança de Gaia, dá um verdadeiro grito de alarme.
"Esse livro", diz ele, "nasceu de uma visita ao Hadley Centre (centro de estudos do clima britânico) em janeiro de 2005. À medida que passava de departamento a departamento, dos especialistas da banquisa polar aos do oceano, e depois aos da floresta, o repicar do sino era sempre o mesmo: as coisas se degradam e a retroação será positiva. Ou seja: por exemplo, o desaparecimento da banquisa oceânica no Ártico irá acelerar o aquecimento do oceano, o oceano não conseguirá mais absorver o carbono, o aquecimento da floresta irá liberar ainda mais CO2... O perigo é mortalmente sério."
Gaia, portanto, está em perigo? "Gaia, precisamente, não", estima Lovelock, "mas, se o aumento da temperatura que prevejo, de 6 a 8 graus centígrados, se produzir, a civilização poderá ser ameaçada: teremos uma extinção em massa de espécies e a agricultura se tornará impossível em boa parte da superfície do planeta. O alimento será insuficiente, haverá migrações de populações inteiras, conflitos, a humanidade se concentrará ao redor das regiões polares..." Esse prognóstico se justifica, segundo Lovelock, pelo fato de modelos atuais subestimarem as retroações.
Fazer as pazes com a Terra
Em seu último livro, A Vingança de Gaia (Editora Intrínseca), Lovelock traça um prognóstico pessimista, julgando que nosso planeta está febril e que sua saúde declina. Ele pede uma reação enérgica para salvar aquilo que ainda pode ser salvo – "fazermos as pazes com Gaia enquanto ainda somos fortes o bastante para negociar, e não quando tivermos nos tornado uma multidão dividida e vencida, em via de extinção".
O momento atual, para ele, é o de uma "retirada sustentável", mais que de um "desenvolvimento sustentável". Para ilustrar a situação, ele costuma usar a metáfora de Napoleão às portas de Moscou em 1812: "Acreditamos ter vencido todas as batalhas, mas a verdade é que avançamos demais, temos demasiadas bocas para alimentar e o inverno se aproxima..." E o Protocolo de Kyoto? Nova metáfora: "É como os acordos de Munique que vivi na minha juventude. O mundo inteiro percebe o perigo que se aproxima e os políticos pronunciam belas frases e fazem de conta que estão fazendo alguma coisa."
A humanidade representa uma grande oportunidade para Gaia, diz Lovelock. "Somos, de certa forma, seu sistema nervoso", ressalta o cientista. "Ela perderia muito se nos perdesse."
Medicina planetária
Diante da gravidade do momento, e fiel a seu gosto pela tecnologia, Lovelock concebe sem reticências uma "medicina planetária". Ela inclui estratégias para refrescar artificialmente o planeta, seja na forma de aerossóis sulfurosos, seja na de espelhos gigantes instalados em órbita no espaço, e várias outras soluções paliativas.
Ele preconiza uma nuclearização maciça da eletricidade mundial e sugere inclusive que uma parte de nossa alimentação seja produzida artificialmente, em fábricas, para minimizar nossa utilização do espaço natural. Programa surpreendente, que demonstra a independência de pensamento de um homem que, apesar de quase meio século de uso da palavra livre, é agora recebido pelos grandes do planeta, como Al Gore, ex-presidente norte-americano e Prêmio Nobel da Paz de 2007.
E como estão as relações entre o homem e Gaia? Será preciso ver nossa espécie como um tipo de câncer do planeta, paralisando pouco a pouco suas funções reguladoras? "A aparição da humanidade constituiu uma grande oportunidade para Gaia", protesta o cientista. "Somos, de certa forma, seu sistema nervoso. Em todo caso, é graças a nós que ela de algum modo tomou consciência de si mesma e inclusive conseguiu se ver a partir do espaço exterior. Ela perderia muito se nos perdesse." E conclui com uma última metáfora: "Gaia, vocês sabem, é como uma avó que recolheu em sua casa um bando de adolescentes demasiado indisciplinados e turbulentos. Ela poderá – talvez com a morte na alma – trancar a porta e deixá-los do lado de fora."
James Lovelock é doutor honoris causa de uma dezena de universidades ao redor do mundo. Ganhou prêmios científicos de vários organismos, tais como a Organização Mundial de Meteorologia, a Academia de Ciências da Holanda, a Sociedade Norte-Americana de Química e o Laboratório Marinho de Plymouth.
A HIPÓTESE GAIA
Na década de 70 o inglês James Lovelock elaborou a hipótese Gaia, e segundo ela, o planeta Terra se comporta como um só organismo vivo
Por: Paula Louredo, bióloga (http://www.brasilescola.com/biologia/hipotese-gaia.htm)
A hipótese Gaia foi elaborada pelo cientista inglês James Lovelock no ano de 1979, e fortalecida pelos estudos da bióloga norte-americana Lynn Margulis. Essa hipótese foi batizada com o nome de Gaia porque, na mitologia grega, Gaia era a deusa da Terra e mãe de todos os seres vivos.
Segundo a hipótese, o planeta Terra é um imenso organismo vivo, capaz de obter energia para seu funcionamento, regular seu clima e temperatura, eliminar seus detritos e combater suas próprias doenças, ou seja, assim como os outros seres vivos, um organismo capaz de se autorregular. De acordo com a hipótese, os organismos bióticos controlam os organismos abióticos, de forma que a Terra se mantém em equilíbrio e em condições propícias de sustentar a vida.
A hipótese Gaia sugere também que os seres vivos são capazes de modificar o ambiente em que vivem, tornando-o mais adequado para sua sobrevivência. Dessa forma, a Terra seria um planeta cuja vida controlaria a manutenção da própria vida através de mecanismos de feedback e de interações diversas.
Um dos argumentos utilizados pelos defensores dessa hipótese é o fato de que a composição da atmosfera hoje parece depender principalmente dos seres vivos. Sem a presença dos seres fotossintetizantes o teor de gás carbônico (CO2) na atmosfera seria altíssimo, enquanto que nitrogênio (N2) e oxigênio (O2) teriam concentrações muito baixas. Com a presença dos seres fotossintetizantes, a taxa de CO2 diminuiu, aumentando consideravelmente os níveis de N2 e O2 disponível na atmosfera. Essa redução do CO2 favorece o resfriamento do planeta, já que esse gás é o principal responsável pelo efeito estufa, influenciando muito na temperatura do planeta. Segundo esse argumento, a própria vida interferiu na composição da atmosfera, tornando-a mais adequada à sobrevivência dos organismos.
Embora muitos cientistas concordem com essa hipótese, outros não a aceitam, discordando da ideia de que a Terra seja um "superorganismo". Um dos argumentos utilizados por esses cientistas é que não só os fatores biológicos moldam o planeta, mas também fatores geológicos, como erupções vulcânicas, glaciações, cometas se chocando contra a Terra, que modificaram e ainda modificam profundamente o aspecto do planeta.
Discordando ou não, a hipótese Gaia nos chama a atenção para as relações existentes entre os seres vivos e o meio ambiente, e principalmente para as relações existentes entre nossa espécie e os demais seres vivos. Dessa forma, utilizemos essa hipótese para refletir sobre os impactos que as nossas atividades estão causando no planeta Terra.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Tucano mineiro é acusado de traficar órgãos

BLOG O MURAL: Tucano de alta plumagem enroscado com escândalos. Isso jamais vocês vão ver na globo, veja, época, band, folha de são paulo (letra minúscula mesmo revisor, eles não merecem crédito)...


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Na Carta Capital, Leandro Fortes expõe a impressionante história de médicos que, com a participação de outro médico, deputado estadual do PSDB mineiro, retiravam órgãos de pacientes ainda vivos. E os vendiam.

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terça-feira, 16 de abril de 2013

Onde Ana Maria Braga colocou a mandioca?

BLOG O MURAL: A apresentadora da TV Globo Ana Maria Braga apareceu com um colar de tomates pendurado no pescoço para ironizar o preço. Mas a farinha de mandioca teve alta maior do que o tomate. Onde a madame colocou a mandioca?

Veja e Época pisam no tomate: inflação ESTEVE em alta, mas ESTÁ em baixa

O gráfico abaixo fala por si, e comprova: a curva de inflação subiu de setembro de 2012 a janeiro de 2013. Depois disso, entrou em queda.
Só haveria motivo para grandes preocupações se a curva continuasse subindo. Como já está em queda, significa que as medidas tomadas pelo governo estão funcionando e já produzem efeitos.
Tanto isso é verdade, que o próprio mercado financeiro é categórico ao prever que o índice de inflação IPCA chegará em dezembro fechando o ano em 5,7%, dentro da meta.
Veja e Época fazem lobby por juros altos para banqueiros e panfleta para oposição
Fala sério! Alguém acredita que o aumento da taxa Selic é que faz cair ou subir o preço do tomate?
A revista Veja e Época dão um chilique em "reporcagens" de capa (bem ao contento dos banqueiros e dos demotucanos que clamam por juros altos) porque o acumulado nos últimos 12 meses ultrapassou 0,09% a meta neste momento (por sinal um valor muito baixo, nada assustador). Mas é apenas o retrato de um momento em que o cálculo de 12 meses passados atingiu um pico, em consequência do que aconteceu entre setembro e janeiro. Esse pico já passou, mas continua entrando no cálculo do passado, dos últimos 12 meses.
A partir do segundo semestre deste ano, o índice mais baixo esperado para setembro de 2013, será uma parcela que substituirá o índice mais alto de setembro de 2012, reduzindo o cálculo acumulado em 12 meses. O mesmo se repetirá em outubro, novembro e dezembro. Daí o cálculo dos próprios operadores do mercado financeiro de que o ano fechará em 5,7%.
Além disso o IPCA de março foi 0,47%. O maior impacto dentro desse número foi 0,28% nos alimentos e bebidas, em consequência de quebras de safra, cujas perspectivas são de ser superadas nos próximos meses, com o agora famoso tomate (e outros alimentos) voltando a preços normais.
Se as referidas revistas fizessem um jornalismo honesto contariam essa história inteira, em vez de fazer capas sensacionalistas, alarmistas e panfletárias.

domingo, 14 de abril de 2013

Kotscho ironiza a crise do tomate

247 - O jornalista Ricardo Kotscho, ex-porta-voz de Lula, comenta as crises artificiais provocadas pela mídia e condena o clima de catastrofismo. Leia abaixo:
O fim do mundo em três meses: Por Ricardo Kotscho, no blogBalaio do Kotscho:

De vez em quando, ultimamente, fico até com receio de perder meu tempo escrevendo. O mundo já poderá ter acabado quando este texto chegar aos caros leitores. Quem vai ler?

Sem falar na sempre iminente guerra nuclear das Coréias, o fim do mundo está onipresente no noticiário nacional, como se houvessem estabelecido uma programação prévia para não deixar o brasileiro respirar sossegado dois dias segundos.

Mal se termina de falar de uma crise e já aparece outra nas manchetes, sem que tenha dado tempo da anterior terminar.

O ano mal começou, e já tivemos de volta as notícias alarmistas sobre os iminentes riscos de apagão de energia em razão da falta de chuvas nos reservatórios, ao mesmo tempo em que as enchentes em outros pontos do país provocavam novas tragédias. Imagens de reservatórios com pouca água e morros despencando eram acompanhadas de análises dos especialistas de sempre para quem o país, com este governo, não tem nenhum futuro, seja por falta ou excesso de chuvas.

Os brasileiros nem tivemos tempo de comemorar o recorde da safra de grãos, e já começaram as séries de reportagens sobre o colapso na infraestrutura, com estradas intransitáveis e congestionamentos nos aeroportos.

E assim fomos seguindo o ano de 2013, de agonia em agonia, até que sobreveio a grande crise do preço do tomate, a maior de todas, porque esta pode explodir ao mesmo tempo a inflação e os juros, levando o país à ruína completa. Em apenas três meses, ficamos novamente à beira do abismo.

Esses problemas todos existem, é claro, e alguns são bastante sérios, como já mostramos aqui no Balaio, tornando mais difícil a recuperação da economia. O clima de catastrofismo, porém, vai além da realidade dos fatos e tem como pano de fundo a sucessão presidencial de 2014, ativada pela antecipação da campanha e pela ausência de candidatos competitivos para enfrentar a candidata do governo.
Inconformados com os altos índices de popularidade da presidente Dilma Rousseff, que nas atuais pesquisas lhe garantem a reeleição já no primeiro turno, setores da sociedade que se sentiram prejudicados com a queda de juros e tarifas, especuladores e rentistas, aquela gente que não se conforma com medidas que visam a beneficiar a população de baixa renda, resolveram investir em outros campos, já que o cenário eleitoral não lhes dá muitas esperanças de voltarem ao poder tão cedo.

Alguma coisa está fora de ordem e de lugar quando assistimos à judicialização da política e à politização do judiciário, e os grandes protagonistas da cena brasileira se tornam o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, e o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que agora têm uma opinião formada sobre tudo e dão seus pitacos definitivos sobre qualquer assunto, mesmo quando não são chamados.

Gurgel já decidiu que a nova distribuição dos royalties do petróleo só deverá valer a partir de 2016, Barbosa comenta a indicação do polêmico deputado pastor Marco Feliciano para uma comissão da Câmara, e ambos se dedicam com afinco para colocar na cadeia os condenados da Ação Penal 470, recusando sumariamente qualquer recurso dos advogados de defesa.

Citado pelo ex-ministro José Dirceu numa história no mínimo malcontada no episódio para a sua indicação para o STF, o ministro Luiz Fux manda responder que não vai polemizar com réus condenados. Na mesma semana, o procurador-geral Gurgel determina ao Ministério Público e à Polícia Federal investigações sobre o ex-presidente Lula, a partir de declarações feitas por Marcos Valério, réu condenado a mais de 40 anos de prisão.

No mesmo momento em que Barbosa denuncia o "conluio" entre advogados e magistrados, o escritório de Sergio Bermudes, um dos mais caros do país, anuncia o patrocínio de uma festa de arromba para mais de 300 pessoas em seu apartamento de 800 metros quadrados, no Rio de Janeiro, para comemorar o aniversário de 60 anos de Luiz Fux, cuja filha Marianna, candidata a uma vaga no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, trabalha com o anfitrião. A pedido da mãe do homenageado, diante da repercussão do regabofe, a festa foi cancelada, segundo os jornais deste sábado.

Mas não faltarão outras festas do gênero, por mais que isso irrite Barbosa, para congregar os comensais dos dois lados do balcão da Casa Grande, que podem perder as eleições, mas nunca perdem a pose nem o 
poder.

PF conecta braço direito de Alckmin a empreiteiro

:
247 – A proximidade entre o empresário Olívio Scamatti e Edson Aparecido, chefe da Casa Civil do governo de Geraldo Alckmin (PSDB), foi revelada essa semana pela Operação Fratelli da Polícia Federal. Segundo as investigações, ocorreram fraudes em licitações de pelo menos 78 prefeituras do interior paulista.
Interceptações telefônicas feitas em 2010 flagraram Aparecido, na época deputado federal pelo partido de Alckim, fazendo "pedidos" ao empresário. Uma dessas ligações teria o objetivo de ajudar o aliado José Jacinto Alves Filho, então prefeito de Auriflama, que precisava mostrar ao Ministério Público que providências estavam sendo tomadas.
Para isso, era necessário que Scamatti mandasse algumas máquinas para colocar asfalto para que fossem fotografadas pelos promotores. "Se abrir processo, a região inteira contamina", disse Aparecido.
Segundo a PF, o chefe da Casa Civil do governo tucano não era o alvo da operação, mas foi interceptado por manter contato com o empreiteiro. A polícia também descobriu que a Demop fez doações para a campanha de Aparecido no valor de R$ 91,6 mil ainda em 2006.
As apurações da PF e do Ministério Público também chegaram ao nome de Osvaldo Ferreira Filho, chamado de Osvaldinho, assessor que trabalhou oito anos com Aparecido. Ele chegou, inclusive, a representar o então deputado estadual em reuniões políticas ainda no início dos anos 2000. Ele é uma das 13 pessoas presas em São José do Rio Preto.
O empresário também foi preso e é acusado de chefiar o esquema de corrupção e desvio de dinheiro público.
Na versão do chefe da Casa Civil do governo de Geraldo Alckmin, o empreiteiro "nunca solicitou nada que indicasse qualquer irregularidade", mas reconheceu, em entrevista ao Estado de São Paulo, que manteve contato próximo com Scamatti. Ainda segundo Edson Aparecido, as doações para sua campanha "foram registradas", e afirma que confia na "inocência" do ex-assessor.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Santayana: Qualquer agressão desatinada a Lula desatará crise nacional

BLOG O MURAL: O processo contra Lula e a força do simbolismo.Como Getúlio e Juscelino, cada um deles em seu tempo, Lula é símbolo do povo brasileiro. Acusam-no hoje de ajudar os empresários brasileiros em seus negócios no Exterior. O grave seria se ele estivesse ajudando os empresários estrangeiros em seus negócios no Brasil.
 
Mauro Santayana, em Carta Maior
O Ministério Público do Distrito Federal – por iniciativa do Procurador Geral da República – decidiu promover investigação contra Lula, denunciado, por Marcos Valério, por ter intermediado suposta “ajuda” ao PT, junto à Portugal Telecom, no valor de 7 milhões de reais.
O publicitário Marcos Valério perdeu tudo, até mesmo o senso da conveniência. É normal que se sinta injustiçado. A sentença que o condenou a 40 anos de prisão foi exagerada: os responsáveis pelo seqüestro, assassinato e esquartejamento de Eliza Salmúdio foram condenados à metade de sua pena.
Assim se explica a denúncia que fez contra o ex-presidente, junto ao Procurador Geral da República, ainda durante o processo contra dirigentes do PT.
O Ministério Público se valeu dessas circunstâncias, para solicitar as investigações da Polícia Federal – mas o aproveitamento político do episódio reclama reflexões mais atentas.
Lula é mais do que um líder comum. Ele, com sua biografia de lutas, e sua personalidade dotada de carisma, passou a ser um símbolo da nação brasileira, queiramos ou não. Faz lembrar o excelente estudo de Giorg Plekhanov sobre o papel do indivíduo na História. São homens como Getúlio, Juscelino e Lula que percebem o rumo do processo, com sua ação movem os fatos e, com eles, adiantam o destino das nações e do mundo.
Há outro ponto de identificação entre Lula e Plekhanov, que Lula provavelmente desconheça, como é quase certo de que desconheça até mesmo a existência desse pensador, um dos maiores filósofos russos. Como menchevique, e parceiro teórico dos socialistas alemães, Plekhanov defendia, como passo indispensável ao socialismo, uma revolução burguesa na Rússia, que libertasse os trabalhadores do campo e industrializasse o país. Sem passar por essa etapa, ele estava convencido, seria impossível uma revolução proletária no país.
É mais ou menos o que fez Lula, em sua aliança circunstancial com o empresariado brasileiro. Graças a essa visão instintiva do processo histórico, Lula pôde realizar uma política, ainda que tímida, de distribuição de renda, com estímulo à economia. Mediante a retomada do desenvolvimento econômico, com a expansão do mercado interno, podemos prever a formação de uma classe operária numerosa e consciente, capaz de conduzir o processo de libertação.
Não importa se o grande homem público brasileiro vê assim a sua ação política. O importante é que esse é, conforme alguns lúcidos marxistas, começando pelo próprio Marx, o único caminho a seguir.
Como Getúlio e Juscelino, cada um deles em seu tempo, Lula é símbolo do povo brasileiro. Acusam-no hoje de ajudar os empresários brasileiros em seus negócios no Exterior. O grave seria se ele estivesse ajudando os empresários estrangeiros em seus negócios no Brasil.
Lula não é uma figura sagrada, sem erros e sem pecados. É apenas um homem que soube aproveitar as circunstâncias e cavalgá-las, sempre atento à origem de classe e fiel às suas próprias idéias sobre o povo, o Brasil e o mundo.
Mas deixou de ser apenas um cidadão como os outros: ao ocupar o seu momento histórico com obstinação e luta, passou a ser um emblema da nacionalidade. Qualquer agressão desatinada a esse símbolo desatará uma crise nacional de desfecho imprevisível.
Mauro Santayana é colunista político do Jornal do Brasil, diário de que foi correspondente na Europa (1968 a 1973). Foi redator-secretário da Ultima Hora (1959), e trabalhou nos principais jornais brasileiros, entre eles, a Folha de S. Paulo (1976-82), de que foi colunista político e correspondente na Península Ibérica e na África do Norte.

domingo, 7 de abril de 2013

Qual é o papel da mídia no País? Ajudar ou criar bolhas?

BLOG O MURAL: Que a mídia tem um papel importante na democracia não se discute, mas até onde podem ir suas responsabilidades com o país, isso sim, podemos discutir. Podem eles falarem e escreverem o que pensa sem nenhuma responsabilidade? Por isso, a discussão do controle -não censura- é importante para a nação brasileira. Essa semana que irá entrar teremos mais uma prova cabal dessas (in)responsabilidades.

Empresário Eik Baptista, donos de um grupo de empresas com investimento nunca visto no Brasil, assim ele teve acesso a todo tipo de ajuda, desde o BNDES até o financiamento internacional, e a principal bolha para essa ascensão de Eik foram as matéria de varias revista semanais, inclusive dizendo que ele ensinaria o Brasil a ganhar dinheiro de forma gloriosa. Lógico que as revistas -não todas- tentou-se dizer que Lula e Dilma eram os entraves para o crescimento ainda maior das empresas de Eik, mas na verdade a mídia era quem mais se beneficiava das rendas das empresas, pois as verbas de publicidade eram todas alocadas para revista, emissoras de TV e jornais, e com isso, claro eles defendiam cegamente o empresário e suas empresas. 


Agora estamos vendo que tudo não passou de especulação, uma bolha de endividamento de pessoas, bancos e com conseqüência gravíssima para o país, e certamente quem pagará a conta será todos os brasileiros, mas quem tomou o café com os empresários foram somente um naco do país, e certamente eles vão dizer que também tiveram prejuízo, só não vão mostrar quantos lucros tiveram todo este tempo de especulação é claro. Veja a reportagem do síteo brasi27.com

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247 - Nunca houve, na história do Brasil, um empresário como Eike Batista. Vendedor de projetos, e não de empresas com resultados concretos, ele conseguiu a façanha de se tornar o oitavo homem mais rico do mundo (hoje não figura nem mais entre os 100 primeiros) prometendo quase o equivalente a terrenos na lua. Bancos de investimento empacotaram seus projetos e Eike foi uma das figuras mais midiáticas já vistas no mundo empresarial, em todos os tempos. Onde houvesse um holofote, lá estava ele. Se Madonna viesse ao Brasil pedir apoio a uma ONG, Eike apareceria com um cheque milionário para ganhar também seus 15 segundos adicionais de fama.

Durante um bom tempo, Eike acreditou que conseguiria administrar expectativas do mercado financeiro no gogó – ou, quem sabe, pilotando sua conta no Twitter, onde, sempre, em tom otimista, vendia promessas jamais concretizadas a incautos seguidores. Ele, no entanto, não teria ido tão longe se não tivesse construído, também, uma poderosa aliança com jornalistas e meios de comunicação. Na imprensa, seus dois principais aliados nessa onda de fanfarronice foram Ancelmo Gois, do Globo, e Lauro Jardim, de Veja. Ancelmo sempre o chamava de "Eike sempre ele Batista", como se o empresário fosse uma máquina de produção de ideias geniais. Lauro, por sua vez, antecipava em seu Radar Online os movimentos do grupo EBX, que sempre impactavam, também, o mercado financeiro e as cotações de seus papeis em bolsa.

Sempre disponível a conceder entrevistas, o empresário foi capa de praticamente todas as revistas semanais, indo de Veja, onde era chamado de "Eike Xiaoping", a Carta Capital, em que condenava a pouca disposição dos empresários ao risco. E da mesma maneira que transitava na mídia, Eike também circulava com desenvoltura no meio político. Não apenas no governo federal, que lhe abriu as portas do BNDES, mas nos governos de estados como Rio de Janeiro, Minas Gerais, Amapá e Maranhão, onde seus projetos tinham algum impacto.

O sonho de Eike, no entanto, chegou ao fim. Com uma dívida de mais de R$ 20 bilhões, concentrada sobretudo no BNDES, ele começará, nos próximos dias a reestruturar seus pagamentos. O aviso do "pré-calote" já foi dado na última sexta-feira, por meio de seu porta-voz extraoficial Lauro Jardim, que avisou que os bancões amargarão parte do prejuízo. 

Serão perdas significativas, mas, talvez, não tão grandes quanto a de investidores que acreditaram na imagem de empresário infalível construída por Eike e diversos veículos de comunicação. As ações da OGX, sua empresa de petróleo, já caíram 88% em um ano. Papéis do porto LLX, do estaleiro OSX e da mineradora MMX também viraram pó. E se "Eike sempre ele Batista" foi capaz de vender ilusões, isso só foi possível porque contou com o empurrão de uma imprensa amiga e, muitas vezes, acrítica.

 

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Deputado Hamilton pede melhorias na rodovia que liga Sorocaba a Porto Feliz

Acidente ocorrido na rodovia Emerenciano Prestes de Barros (SP-97) em março de 2012 (Foto: Douglas Valle / Rádio Ipanema)BLOG O MURAL:  Moradores dos bairros próximos à SP-97 procuraram o parlamentar relatando a situação daquela via

Acidente ocorrido na rodovia Emerenciano Prestes de Barros (SP-97) em março de 2012 (Foto: Douglas Valle / Rádio Ipanema)
O deputado estadual Hamilton Pereira (PT) protocolou no DER (Departamento de Estradas e Rodagem) um ofício pedindo melhorias na Rodovia Emerenciano Prestes de Barros (SP-97), que liga os municípios de Sorocaba e Porto Feliz. Moradores dos bairros próximos à rodovia procuraram o parlamentar relatando a situação daquela estrada.
Segundo eles, a falta de manutenção, de abrigo e recuo nos pontos de ônibus, que circulam diariamente, e a falta de limpeza na lateral da pista têm sido as principais causas de uma série de acidentes ocorridos naquela Rodovia.
Para o morador do bairro Caguaçú, Evanildo Amâncio, o movimento na via teve um crescimento significativo nos últimos anos. "Com a chegada da montadora Toyota houve um aumento muito maior de veículos que trafegam todos os dias ali", conta. "A falta de manutenção e acostamento para os ônibus apresentam grande riscos para os usuários, dificultando a trafegabilidade tanto dos pedestres quanto de veículos", relata. Para Amâncio, o aumento de veículos já é motivo suficiente para a duplicação daquela Rodovia.
No ofício encaminhado ao DER, o deputado cobra as medidas necessárias para solucionar de imediato os problemas levantados pelos moradores e, posteriormente, discutir a possibilidade de duplicação da via. "De fato, temos acompanhado pela imprensa o aumento de acidentes na SP-97, em alguns casos com vítimas fatais", observa. "Esperamos que as obras sejam realizadas urgentemente para evitar mais fatalidades nesta importante Rodovia", conclui.
Fonte: Assessoria de Imprensa

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Requião: Folha esconde quem paga viagens de FHC

BLOG O MURAL: Operário metalurgico não pode viajar, Otavinho ? Tem que saber falar inglês ?


O Brasil ainda vive uma ditadura: a da mentira

Por Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania

Comecei a ler jornal aos treze anos.  Era 1973 e minha leitura favorita era o primeiro caderno do Estadão, o de política – começara a me interessar pelo assunto porque via a família discuti-lo de uma forma que me intrigava. Mesmo dentro de casa, familiares conversavam sussurrando. E interrompiam o assunto quando eu aparecia.
Lendo o Estadão, percebia que faltavam informações. E quando fazia perguntas à família, não conseguia respostas satisfatórias – jovens da minha idade eram tratados como crianças, àquele tempo.
Naquele ano, assisti a uma reportagem no programa Fantástico – que estreara na Globo no mesmo ano – que me faria entender que aquilo que lia no Estadão não traduzia a verdade do que se passava no Brasil.
Lembro-me com clareza do título da reportagem: “Eleição, um show americano”. Mostrava, se bem me lembro, uma convenção partidária nos Estados Unidos – só não me lembro se era do partido democrata ou republicano.
Não era ano eleitoral nos Estados Unidos, mas a matéria era sobre a forma como funcionava a democracia naquele país.
Vejo, como se fosse ontem, as bandeirolas coloridas, um clima de euforia. Parecia uma festa. Tudo aquilo era para escolher um candidato a presidente do país que produzia os filmes, seriados e revistas em quadrinhos que tanto amava.
Mas o que me intrigava era por que, no Brasil, aquilo não existia. Por que em meu país não elegíamos presidentes? O jornal não me contava.
Perguntei à família, mas me enrolaram e não responderam. Nem minha mãe, que desde que me entendo por gente fazia questão de me doutrinar culturalmente por todos os meios, deu-me uma resposta. Sugeriu-me que parasse com a leitura de política porque, em nosso país, não era “bom” se interessar por aquele assunto.
Ficara muito intrigado. Aliás, sentia uma certa revolta. Vira na televisão um país que, então, era tido como exemplo para o mundo fazendo da sua democracia uma festa. Mas, no meu país, aquilo tudo, que me parecia tão positivo, era proibido.
Por que?
Um ano mais tarde, na escola – estudava no Colégio São Luis, em São Paulo –, então no “ginásio”, travei amizade com um rapaz do “científico” (ensino médio) que me contou em detalhes o que passava no Brasil e que a família não me queria revelar.
Daniel era quatro anos mais velho do que eu – tinha 18 anos. Ele fazia parte do que chamou de “partido” e disse que o Brasil estava sob uma ditadura, que militares nos governavam na marra e, assim, não podiam permitir que votássemos porque a maioria não os queria no poder e, assim, se o povo pudesse votar eles não continuariam governando.
Naquele distante 1973, filho de uma família abastada – vivia com mãe e avós e meu avô era um alto executivo da Mercedes Benz –, descobri que o regime militar era nefasto, uma violência. Mas minha repulsa àquele período de trevas se consolidou de forma indelével em meu espírito quando meu amigo Daniel “sumiu”.
Quando parou de ir à escola, após algumas semanas peguei minha bicicleta e fui à sua casa. Sua irmã me atendeu à porta. Tinha um semblante desolador. Fiquei assustado. Disse que Daniel “viajara” e me mandou embora.
De volta à escola, seus colegas de classe, mais velhos do que eu, não quiseram me dar informações.
Alguns poucos anos depois, já sabia que meu amigo tinha sido tragado por uma repressão que destruía a todo aquele que ousava pensar diferente dos ditadores. Mesmo que fosse um rapazola.
Cheguei a frequentar reuniões no colégio Equipe, na Bela Vista. Falavam em resistência, em enfrentar a ditadura. E falavam dos riscos. Tive medo, muito medo e me omiti. Tinha uns 16 anos e, até o fim dos anos setenta, conformei-me em acompanhar pelo Estadão o processo que levaria o Brasil à abertura política. Mas nunca me envolvi.
Até hoje sinto vergonha disso, e só relato aqui como que para expiar minha culpa. Sempre que posso, confesso minha covardia na juventude.
Hoje, quando me dizem “corajoso” por incomodar os barões da mídia que atiraram meu país naquele horror, dou um sorriso amargo e me lembro de quão covarde eu fui. E reflito que ser “corajoso” hoje, em plena democracia, não tem valor algum.
Mas prometi a mim mesmo que sempre que pudesse confessaria a covardia a que me dei na juventude, quando tantos outros como eu deram sua vida para libertar o Brasil de uma ditadura feroz que – há pouco o país descobriu – chegou a torturar bebês diante de mães militantes políticas para obrigá-las a lhe dar informações.
A ditadura, porém, não terminou. Apesar de a ditadura político-institucional ter acabado há décadas, o país ainda é prisioneiro de uma outra ditadura, a ditadura da mentira.
Vejo na internet, nos jornais e até na tevê, inclusive em editoriais desses veículos, justificativas aos crimes daqueles militares e civis que ceifaram a vida de tantos jovens como meu amigo Daniel. Dizem que as vítimas daquele regime criminoso queriam implantar uma ditadura no país e atribuem a “terroristas” como aquele amigo crimes iguais aos que cometeram.
Mentirosos.
Onde estão as famílias das vítimas dos “terroristas” a bradarem contra os assassinatos ou torturas de país, mães, irmãos, amigos? Por que, como as vítimas da ditadura, não se organizam e levam fotos de entes queridos que os que tentavam devolver a democracia ao Brasil teriam exterminado ou torturado?
Claro que, sim, houve alvos militares. E é claro que alguns soldados da ditadura tombaram em combate com “terroristas”. Mas nada que sequer se aproxime dos meninos e meninas que aquele regime hediondo sequestrou, seviciou e exterminou.
Hoje, 1º de abril de 2013, faz 49 anos que o inferno foi desencadeado no país. Sobreviventes que enfrentaram aqueles psicopatas, assassinos, estupradores, ladrões, pervertidos que colocaram este país de joelhos, chegaram ao poder. Aliás, o Brasil é governado por uma heroína que, altiva, enfrentou aqueles demônios.
Contudo, o Brasil não é livre. Enquanto as mentiras que os autores daquela loucura inventaram não forem desmascaradas, enquanto o nosso povo não souber a verdade do que se passou naquelas duas terríveis décadas, a mentira continuará nos governando. Seremos tão prisioneiros dela quanto fomos da ditadura militar.
Deveria escrever mais, muito mais. Mas a boca está seca e os olhos, molhados. Quem sabe um outro dia termino de dizer tudo o que deveria. Talvez, nesse dia, consiga mergulhar fundo naquelas memórias sem ficar no estado emocional em que estou ao terminar este texto. Sobretudo pela culpa por minha omissão, que nunca me deixou em paz.